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Estado de Minas EDITORIAL

Questão de saúde pública


04/07/2022 04:00

O Ministério da Saúde lançou na última semana uma nova campanha de incentivo à vacinação – “Vacina Mais” – na tentativa de reverter a queda nos índices de imunização de diversas doenças. O projeto é da Organização Pan-Americana da Saúde e Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS), em parceria com os conselhos de Saúde, em âmbito nacional, estadual e municipal.

Não é segredo para ninguém que a cobertura vacinal no Brasil está despencando há pelo menos 10 anos, especialmente no que se refere à população infantil. Nos últimos anos, assistimos ao retorno de patologias até então consideradas erradicadas no país, a exemplo do sarampo e da poliomielite (paralisia infantil), doenças que podem causar sequelas ou levar à morte.

É importante destacar que o Conselho Nacional de Saúde (CNS) atribui às vacinas a erradicação da varíola no mundo, em 1980. Atualmente, há pelo menos 19 tipos de vacinas disponíveis, que conferem proteção contra mais de 20 doenças.

No entanto, de acordo com o Ministério da Saúde, entre 2015 e 2021, o número de crianças vacinadas com a primeira dose contra a poliomielite caiu de pouco mais de 3,121 milhões para 2,089 milhões. Já para a terceira dose, no mesmo período, os números reduziram de 2,845 milhões para 1,929 milhão. E, em seis anos, o recuo da cobertura vacinal contra a pólio foi expressivo – de 98% para 67%.

Embora o patamar de imunização ideal seja acima dos 90% – índice acordado pelos especialistas –, as taxas gerais de vacinação estão bem abaixo desse nível desde 2012, com destaque para 2016 – quando o Brasil registrou uma porcentagem de apenas 50,4%. Em 2021, esse número alcançou 60,7%, segundo o DataSUS, ainda muito distante das metas propostas pelos profissionais de saúde.

E os exemplos não param por aí. Ainda segundo o DataSUS, a cobertura vacinal contra a tuberculose caiu de 105%, em 2015, para 68,6% em 2021. A vacina BCG faz parte do Programa Nacional de Imunização (PNI) e é indicada para ser aplicada logo após o nascimento da criança.

Aliado a isso, as recorrentes avalanches de fake news sobre vacinação e temas correlatos despejadas a rodo em redes sociais e aplicativos contribuíram para os níveis descendentes de cobertura vacinal. O estudo “As Fake News estão nos deixando doentes?”, da Avaaz.org, comunidade de mobilização global sem fins lucrativos, em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), mostra que aproximadamente 67% dos brasileiros acreditam em, ao menos, uma afirmação imprecisa sobre a vacinação, ou seja, quase sete em cada 10 brasileiros acreditam em notícias falsas sobre o tema.

Mesmo que o Ministério da Saúde e outras instâncias, como o próprio Conselho Nacional de Saúde, reconheçam e divulguem que a vacinação é uma das intervenções de saúde pública mais eficazes, custo-efetivas e que realmente salvam vidas, é fundamental a união de esforços entre governo, estados e municípios – além da participação das grandes plataformas de comunicação – para que o aumento da cobertura vacinal seja exitoso. Caso contrário, novamente correremos o risco de voltar a registrar casos de varíola, no momento oficialmente erradicada no país.


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