Rubens Moura
Professor da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foi criado em 1966 para substituir o direito à estabilidade na empresa. É um fundo composto por depósitos mensais nos valores de 8% das remunerações dos trabalhadores contratados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Assim, o auxílio torna-se um instrumento de poupança forçada para dificultar a demissão e proteger o empregado em uma situação de desemprego, além de ser uma fonte de recursos para políticas públicas do governo. Entretanto, as aplicações do recurso não podem ser expostas a situações de alto risco, assim, os rendimentos são muito baixos (3% ao ano mais taxa referencial), e não são suficientes para compensar a taxa de inflação anual.
Hoje, até os rendimentos da caderneta de poupança e outros fundos conservadores, como Tesouro Direto e CDBs, oferecem ganhos maiores, e com um baixo nível de risco. Ou seja, qualquer ativo livre de risco ou com baixíssimo risco supera as remunerações do FGTS, sendo um bom motivador para o saque.
Uma alternativa oferecida pelo governo é a aplicação de até 50% do valor do FGTS em Fundos Mútuos de Privatização. E apesar de ser uma renda variável, esses fundos costumam oferecer bons rendimentos no longo prazo, sendo uma boa opção para trabalhadores com perfil mais propenso ao risco.
Utilizar o saque para investir na aposentadoria também é uma boa opção, pois existem fundos de previdência privada com planos mais atraentes que geram rendas vitalícias ou um saque com os rendimentos acumulados.
Outra dica seria o pagamento de contas atrasadas que cobram altos juros, pois é muito importante dar preferência à liquidação de dívidas não só pelo montante, mas pelas taxas de juros cobradas.
E, já que o rendimento do FGTS não supera nem a taxa de inflação anual, utilizar o valor do fundo para a compra de um bem muito desejado pode ser mais útil e racional.
Por fim, não podemos esquecer que o saque do FGTS diminui o saldo como base de cálculo para as rescisões trabalhistas. Em uma demissão, o trabalhador terá menos a receber. Portanto, é importante avaliar a decisão!