Jornal Estado de Minas

Em busca da felicidade

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Gilson E. Fonseca
Consultor de empresas
 
A felicidade é um tema inesgotável porque depende da escala de valores, objetivos e sonhos de cada um de nós. Para mim, o tema é mais palpitante porque os consultores empresariais e executivos carregam o estigma de que só pensam em negócios e dinheiro, negligenciando valores transcendentes e espirituais. Dessa forma, presunçosamente, talvez eu possa despertar outras opiniões. Acho importante enfatizar que a felicidade pode e deve ser entendida em duas dimensões: objetiva (exógena) e subjetiva (endógena). Objetiva, desde a tenra idade a perseguimos, é o direito que todos temos de possuir bens básicos, como instrução, moradia descente, acesso à saúde etc.




Subjetiva é a que carrega a maior complexidade, porque depende diretamente do que esperamos da vida. O imperador romano Marco Aurélio disse que “não são as coisas em si que inquietam os homens, mas suas opiniões sobre essas mesmas coisas”.
 
Nossa intuição nos indica que desejo e felicidade têm pouca convergência. O vocábulo desejo, a princípio, parece sugerir apenas uma atração sexual, uma paixão. Entretanto, a filosofia budista enxergou muito mais longe. A famosa frase de seu mestre Buda (Sidharta Gautama), “o sofrimento é proporcional ao desejo”, mostrou outras reflexões. O modelo econômico em que vivemos, um capitalismo-hedonista é um grande adversário na conquista da felicidade, onde todos os meios de comunicação exploram, exatamente, a geração e a satisfação de desejos. Os comerciais de TV exaltam a beleza dos corpos esbeltos e sarados, o luxo das roupas e joias, e, com os grandes recursos da computação gráfica, carros e apartamentos, com imagens virtuais deslumbrantes, promovem verdadeira lavagem cerebral, supervalorizando o dinheiro e a posse, ficando em nós a sensação de que está sempre nos faltando algo. Daí, com a visão míope dos valores humanos, ser pobre, para muitos, é defeito e até vergonhoso. Outro lado triste, para muitos daqueles que já possuem tudo é que o desejo passa pelo poder. A “felicidade”, então, é buscada a qualquer custo, atropelando valores éticos e morais consagrados. No Brasil, lamentavelmente, é o que muito se vê na política, sobretudo no Nordeste do país, onde as mesmas famílias dominam os cargos políticos passando de geração em geração. Mesmo nas eleições de 2018, filhos e netos dessas oligarquias (“coronéis”), foram eleitos para os mais diferentes cargos.
 
Não há como engessar nossos desejos. O que não se pode é distanciá-los da razão. Portanto, o desejo desmedido e conflitante com o espírito é que é o inimigo da felicidade que buscamos. Equilibrado, ele é o vetor do nosso crescimento (felicidade objetiva). Entretanto, é inegável que é difícil ir ao encontro da felicidade e, muitas vezes, não enxergamos que ela pode estar mais perto de nós do que imaginamos. Gandhi disse que “a  gente é mais feliz por aquilo que damos do que acumulamos”. Quem se dedica à filantropia e ajuda ao próximo não está mais próximo da felicidade do que aquele que se realiza nas conquistas de bens materiais? Concluo que quem deseja mais do que pode, sofre; quem deseja igual, pode, vive; quem deseja menos do que pode, é feliz.