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Estado de Minas EDITORIAL

Discurso eleitoral, dilemas sem resposta


17/01/2022 04:00

Pouco sabem os brasileiros sobre as propostas dos pré-candidatos a presidente, governador, senador, deputados federal e estadual, faltando menos de oito meses para as eleições, além de demonstrações veladas na troca de acusações pelo noticiário. Acuado diante da baixa de popularidade, o presidente da República, em recente encontro com empresários, lançou seus rivais em afirmações esvaziadas sobre supostos riscos que o país correria, se entregue a esses adversários, a exemplo de insegurança jurídica e revisão da lei trabalhista. Os concorrentes, por sua vez, articulam sem expor o conteúdo dos programas que vão sustentar as campanhas.

Mais do que os habituais discursos de interesse político, está na hora de os pré-candidatos revelarem planos de ação, propostas para dilemas que, se já não são o bastante para mobilizá-los, ao menos deveriam ser avaliados como definidores do voto em outubro. O novo revés provocado pela COVID-19, associado ao surto gripal, e a inflação que se imaginava conjuntural, mas mostra que pode ser longa, trazem à tona dois desses grandes desafios: como buscar um mercado interno de consumo forte e característico das nações desenvolvidas e garantir investimentos no setor produtivo.

O consumo das famílias, considerado um motor vital da economia e do crescimento, subiu modestos 0,9% no Brasil de julho a setembro do ano passado, último dado disponível sobre o comportamento dessa variável do Produto Interno Bruto do país, que costuma representar 60% do cálculo do PIB. A expansão – embora positiva por ter refletido a reabertura de diversas atividades após a melhora, à época, dos indicadores da COVID-19 –, esbarra na elevação das taxas de juros, que encarece o crédito, no aumento da inflação, desemprego persistente e na queda da renda do trabalho no Brasil.

Difícil será imaginar ter ocorrido performance substancialmente superior tanto nos últimos meses de 2021, quanto neste começo de ano. O rendimento real habitual do brasileiro, de R$ 2.449, descontada a inflação, caiu 4,6% no trimestre encerrado em outubro de 2021, segundo o IBGE, frente ao trimestre anterior, e 11,1% na comparação com o período de agosto a outubro de 2020. Dado preocupante também foi revelado em estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo que indicou queda de 7,1% da movimentação de consumidores no varejo e no setor de serviços durante a primeira semana de janeiro. O resultado, apesar de previsível após a virada do ano, foi bem inferior à queda de 6,3% observada na entrada de 2021.

Sem qualquer crítica ao valor das exportações para as nações subdesenvolvidas, os teóricos da economia enfatizam a importância da produção e do consumo internos para o crescimento sustentável. A valorização do produto obtido dentro desses países, assim como a capacidade da população de consumir têm papel fundamental para o fortalecimento do PIB. Enquanto isso, surgem limitações a essas nações, muitas vezes, como o Brasil, exportadoras de matérias-primas e itens agrícolas, as quais não têm poder de barganhar na definição dos preços internacionais e condições de expandir, de forma continuada, a sua oferta no comércio internacional.

Nessa perspectiva, outra âncora da economia, os investimentos só ganham robustez em ambiente de confiança no comando do país e atados à própria roda que faz a economia girar. Acompanhada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a taxa de investimento no Brasil seguia, no ano passado, a tendência de encerrar o período em modestos 17,2% do PIB, percentual inferior à média global, de 26,7%. Melhorar essa performance não é a única meta a ser perseguida. A referência para esse reforço deveria ser, no mínimo, a proporção de 23,5% alcançada em 1994. Como o Brasil não poderá contar com a ajuda do crescimento mundial neste ano e tendo de lidar, como as outras nações, como os efeitos de uma pandemia das proporções da COVID-19, essa tarefa é mais desafiadora, não pode esperar e exige compromisso daqueles que se candidatam a dirigir o país.


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