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Economia em 2022: juros, estagnação e expectativas


16/01/2022 04:00 - atualizado 15/01/2022 21:57

Josilmar Cordenonssi Cia
Economista, mestre e doutor em administração de empresas. Professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie

A cada dia que passa, as notícias não são nada animadoras para a economia brasileira em 2022. Depois de um primeiro trimestre de 2021 mais forte do que o esperado, a economia começou a andar de lado, ameaçando até uma leve queda. De lá pra cá, as notícias foram predominantemente piores que o esperado do ponto de vista da inflação, necessitando juros maiores, que acabam impactando negativamente o crescimento econômico.

O ano de 2022 vai começar com a expectativa de até quando e enquanto o Banco Central (Copom) vai terminar o ciclo de alta da Selic. Hoje, a taxa está em 9,25% e na ata da última reunião já está contratada uma elevação de mais 1,50%, indo para 10,75%. Os analistas se dividem em 2 grupos principais: os que apostam em uma alta de até 12% e os que acham que vai ficar acima desse patamar.

 Pessoalmente, acho que o estoque de más notícias com relação à inflação deve ser menor daqui pra frente. Em primeiro lugar, a crise hídrica e o risco de apagão foram embora e, se as chuvas continuarem como estão, é possível que tenhamos redução das tarifas de energia elétrica. O dólar tem mais potencial de queda do que alta; o preço da moeda americana está bem pressionado desde o início da pandemia. Ao contrário das eleições do Peru e do Chile, em que o segundo turno foi dominado pelos extremos, ao que tudo indica, aqui no Brasil, a batalha eleitoral se dará no centro, projetando uma maior estabilidade política. Dessa forma, o Brasil pode voltar a atrair investidores estrangeiros, uma vez que os ativos domésticos estão baratos.

Com relação à economia real, o ano começa com a incerteza em relação ao impacto que a variante Ômicron causará na atividade, especialmente no setor de serviços. Mesmo que o impacto seja pequeno, já há sinais de que a economia brasileira está andando de lado desde o segundo trimestre de 2021 e que continue assim no início do próximo ano. A bagunça fiscal do governo promovida pela discussão da PEC dos Precatórios e o furo do teto de gastos parecia que iria sair do controle, mas o mercado ficou menos volátil após a aprovação; pelo menos, há um limite do rombo no teto que dificilmente será desrespeitado em 2022. De qualquer forma, a inflação alta e os juros elevados (mesmo não chegando a 12%) deverão tirar fôlego da economia; o Auxílio Brasil não será suficiente para mudar esse quadro.

Assim, o ano de 2022 deverá ter um padrão parecido com o do governo Temer, a economia tendo um desempenho medíocre e a inflação relativamente bem-comportada, podendo ficar abaixo do teto da meta (5%). As curvas de juros nos EUA não indicam que o Fed (Banco Central americano) fará um forte aumento das taxas de juros, pois até os títulos de 30 anos embutem uma taxa abaixo de 2%, que é a meta de inflação deles. Por aqui, a curva de juros, que estava bastante inclinada, hoje está “chata” (horizontal). Se o Banco Central ganhar a batalha pelas expectativas, a curva de juros deverá ficar invertida, pois as taxas de prazos mais curtos ficarão altas por mais tempo para colocar a (expectativa) inflação na meta para 2023 em diante, fazendo com que as taxas dos títulos com prazos mais longos baixem devido à menor expectativa em relação à inflação futura.

Esse cenário será favorável ao próximo governo, que deverá implementar um novo regime fiscal, junto com um plano de reformas econômicas, pois sem isso ele se inviabilizará em pouco tempo. Mas, como estamos testemunhando, o fato de um jogador ter boas cartas na mão no início de governo não garante o seu sucesso. É preciso saber jogar.


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