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Estado de Minas EDITORIAL

Jogo escondido e trava na economia

Não é a primeira vez que um ano de eleições reúne interrogações de sobra a respeito de questões que mais afetam o dia a dia da população


03/01/2022 04:00



Frases de efeito, embates pelas redes sociais e troca de recados entre pré-candidatos e concorrentes ainda não declarados às eleições deste ano para presidente e governador fazem parte do jogo. Importa é o que ninguém viu ainda, as ideias e propostas nem sequer sistematizadas, ao menos diante dos brasileiros, que começaram 2022 enfrentando os problemas agravados no ano passado da inflação alta, renda espremida e desemprego e oportunidades de trabalho distantes daquele vínculo dos sonhos da família.

Não é a primeira vez que um ano de eleições reúne interrogações de sobra sobre questões que mais afetam o dia a dia da população, sem sinais de projetos e planos de governo para as condições que mais afligem o povo, a nove meses da escolha nas urnas. Analistas políticos, economistas e investidores têm chamado a atenção para o poder decisivo que o mercado de trabalho e a situação do consumo do brasileiro terão no resultado do pleito de outubro.

Do ponto de vista do caixa do governo, o balanço das contas públicas e a criatividade para atrair investimentos antecipam as reações no mercado financeiro, movido pelo interesse do ganho. Não se trata aqui de dar valor às necessárias políticas públicas capazes de melhorar a vida da população, conter as desigualdades ou medidas para fazer o Brasil retomar a importância perdida nas relações internacionais de comércio e diplomacia. A busca é pela precificação de ativos com retorno, sobretudo num 2022 em que o Brasil não deverá poder contar com os benefícios de um crescimento expressivo da economia internacional.

As indefinições políticas, quando o presidente e alguns governadores já estão em campanha, mas adotam a estratégia de esconder a formação de suas futuras equipes e planos, só contribuem para travar a economia e inibir investimentos do setor produtivo. Recessão técnica já foi indicada por dados analisados pelo próprio Banco Central.

No começo de dezembro, foi divulgada a queda de 0,1% medida pelo PIB do país de julho a setembro, após recuo de 0,4% entre abril e junho. A recessão técnica, que ocorre quando se observa dois trimestres seguidos de tombo, é alerta crítico. Na melhor hipótese, o estado da economia brasileira é de estagnação, mais uma vez preocupante.

Para este ano, os pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) reduziram suas projeções, esperando agora 1,1% de avanço do PIB brasileiro, ante 1,8% anteriormente. Em 2021, as previsões haviam caído de 4,8% para 4,5%. Na justificativa de sua Carta de Conjuntura mais recente, o Ipea observou que o cenário de 2022 será prejudicado, principalmente na indústria, com a combinação de inflação alta e ciclo de aumento dos juros.

A taxa básica de juros, a Selic, que serve de referência para as operações nos bancos e no comércio, está fixada em 9,25% ao ano, maior nível desde 2017. O índice oficial da inflação, o IPCA, entrou na casa dos dois dígitos, com variação de 10,74% em 12 meses até novembro, e não dá sinais de reversão nos relatórios de analistas de bancos e corretoras.

A sensação do brasileiro neste começo de 2022 é como aquela do antigo ditado “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Quem tem o condão de investir e gerar emprego prefere aguardar definições, sob pena de se arriscar. Os contribuintes continuam a saga para dar conta da carga tributária absurda.

Não é sempre que os pré-candidatos e seus assessores se lembram dos 12,9 milhões de desempregados e mesmo dos 50 milhões de brasileiros cujos salários têm como referência o piso nacional (R$ 1.212), pelo terceiro ano sem ganho real, acima da inflação. Sabe-se que este ano traz um desafio enorme dos políticos que sairão eleitos das urnas para lidar com os graves problemas da economia. O que não se justifica é a falta de compromisso, mais uma vez, com a situação presente que sacrifica o brasileiro. O indicador de Incerteza da Economia, monitorado pela Fundação Getulio Vargas, mostra que não se trata de um fenômeno novo. O país já viveu essa novela nos períodos eleitorais de 2002, na crise financeira de 2008/2009, no segundo semestre de 2015, quando se misturam recessão e crise política, e em 2018.



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