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O jovem e a ética


12/12/2021 04:00 - atualizado 11/12/2021 21:36

Edson Vismona
Advogado, presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) e do Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade. Foi secretário da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo

Nesses tempos difíceis, temos nos deparado com reflexões sobre ética, respeito à lei e constatado uma normalização de comportamentos que afrontam princípios e valores.

Já em 2017, promovemos junto ao Datafolha uma pesquisa em 130 municípios indagando o que os jovens brasileiros pensam sobre ética. Como eles avaliam suas próprias condutas, de seus amigos, família e sociedade? O que acreditam que deve ser feito para que sua geração possa assumir a missão de transformar o país? Resultado: a ética para os jovens está associada ao respeito ao próximo; são críticos em relação à postura de seus amigos e menos críticos quando avaliam sua família e seu próprio comportamento e, por fim, atribuem a ausência de ética mais à sociedade e ao outro do que a si próprio.

Sobre soluções, apontaram para posturas como: conversar sobre ética com seus familiares e amigos; pensar mais nos outros e não só nos meus interesses; compreender que o que é público é do interesse de todos e não de alguém; deixar de comprar produtos piratas; participar pessoalmente de atividades políticas.

Evidente a contradição. Os jovens entendem o conceito de ética, apontam interessantes caminhos para que sejamos uma sociedade mais ética, mas afirmam que é difícil serem éticos por não ser estimulados pelo meio social.

Os dados corroboram com uma pesquisa realizada no Brasil em 2021 pelo CT Group, que abordou a visão do brasileiro sobre sistemas políticos e compra de produtos ilegais, assim como o impacto social. Para a maioria, os impostos financiam a corrupção, os políticos não são confiáveis e o sistema político não trabalha em prol da população, e sim dos próprios interesses.

Sobre a sua participação nesse panorama, não aceitam ser apontados como partícipes desse processo corrosivo da ética, entendem que são vítimas e que se eventualmente agem de modo não ético é porque o meio não ajuda. Ao seu ver, a compra de produtos contrabandeados e outras formas de incentivo ao mercado ilegal são comportamentos a serem relevados, pois é o que resta fazer.

Entretanto, ao serem confrontados com as perdas de bilhões causadas pelo mercado ilegal, recursos que poderiam ser investidos em programas sociais, saúde, educação, o cidadão demonstra ser contrário à ilegalidade.

A verdade é que temos um longo caminho para avançar na estruturação de uma sociedade mais madura, consciente dos seus direitos e deveres, exigente e participativa, sem afastar a grande responsabilidade que as elites política, econômica e social têm. A ação da sociedade civil é fundamental para demonstrar que a ética não é uma quimera, e sim um fundamento a ser exercitado cotidianamente. 


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