UAI

Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas

A literatura, os escritores e a escola


14/11/2021 04:00

Luiz Carlos Amorim
Escritor, editor e revisor. Membro da  Academia Sul-brasileira de Letras; fundador e presidente do Grupo Literário A Ilha 

O escritor foi, e ainda é, para as crianças que estão começando a descortinar o infinito horizonte da palavra algo inatingível, meio mágico, talvez mítico. Isso, dito por elas mesmas. A criança é naturalmente curiosa, sedenta de conhecimento e experiência, e ficar cara a cara com um escritor, conheça ela a obra dele ou não, é um acontecimento no mínimo singular. É claro que se ela tiver lido algum texto, algum livro do autor que lhe for apresentando, o interesse pode ser maior. Descobrir que o escritor é alguém igual a ela, uma pessoa comum que tem o dom da palavra, pode ajudar a criança a perceber que ela é capaz de ser o que ela quiser.

Já fui convidado várias vezes para dar palestras e entrevistas a estudantes dos ensinos fundamental e médio e sei bem da reação e da receptividade deles. Eu prefiro dizer que fui conversar com os estudantes do que “dar palestra”. E prefiro, também, conversar com o ensino fundamental, porque a criança é mais espontânea, participa mais, tem mais interesse do que o adolescente e o jovem, que têm receio de se expor. O “palestrante” escritor não precisa preparar nada, pois as crianças, os estudantes perguntam, querem saber sobre tudo: o processo de criação, a seleção, o controle de qualidade, a edição, a publicação, a venda – desde o início da produção do texto, seja ele poesia ou prosa, até chegar às mãos do leitor. E o resultado disso, o impacto tanto no leitor como no autor. Quando as perguntas terminam, pedem autógrafos, mostram sua própria produção e pedem dicas.

Essa integração entre o escritor e a escola é desejável e existe em algumas escolas. Não com a frequência e na quantidade de escolas que gostaríamos, mas existe. Oficialmente, existe um projeto chamado Programa Autor/Escola, que foi lançado há alguns anos em Santa Catarina e chegou a acontecer de fato por algumas poucas vezes. No entanto, o que existe hoje são iniciativas isoladas de escolas, professores e alguns escritores, em uma ou outra cidade.

Infelizmente, apesar dos bons objetivos, do incentivo à leitura junto aos leitores em formação e da divulgação do escritor regional, o projeto apenas vem à tona, de tempos em tempos, com promessas de reativação que nunca se cumprem. O que existe de concreto é o trabalho dos bons professores de português e literatura, que convidam escritores de suas respectivas regiões para comparecerem às suas escolas. E o resultado é fabuloso, com os estudantes recriando a obra lida – sim, porque eles leem – em outras mídias, como teatro, vídeo, poesia, quadrinhos etc. Tomara que esses quase dois anos sem escola em razão da pandemia de COVID-19 não venham acabar com o bom trabalho de alguns professores dedicados e abnegados, que conseguiam dar foco à literatura e incutir o gosto e o hábito da leitura nos leitores em formação.

Os escritores do Grupo Literário A Ilha são testemunhas de que essa tentativa de valorizar a literatura regional é eficiente, pois vários deles são convidados a falar sobre a sua vida e sua obra em escolas de algumas cidades pelo estado. Independentemente da “cultura oficial”.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade