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Estado de Minas EDITORIAL

Reforce a guerra contra o coronavírus


14/11/2021 04:00

O avanço da vacinação ajuda a explicar por que o Brasil segue reduzindo os principais indicadores de gravidade da COVID-19, apesar de países do centro e do leste europeu – como a Alemanha, que já foi exemplo mundial de combate ao coronavírus – terem voltado a registrar recordes de casos. Os números, superiores aos do ápice da crise epidemiológica no ano passado, levaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) a apontar o Velho Continente como epicentro da pandemia em 2021.

No caso da população adulta, os dados do Brasil impressionam: mais de 99% dos habitantes com 18 anos ou mais já tomaram a primeira dose ou dose única de alguma das vacinas contra o coronavírus. Quando a comparação leva em conta o público-alvo da campanha nacional de imunização, pessoas com 12 anos ou mais, o percentual é igualmente alto: supera os 90% dos brasileiros. E fica acima de 75% em relação à população total, que ultrapassa os 213 milhões de habitantes.

No entanto, o Brasil precisa avançar em relação ao ciclo vacinal completo. O ideal, dizem especialistas, é que 80% da população total seja completamente imunizada. Do grupo a partir dos 12 anos, o de pessoas que podem tomar imunizante contra o coronavírus atualmente no país, cerca de 70% já receberam pelo menos as duas injeções ou a dose única, no caso da Janssen. Mesmo entre os adultos, público de maior adesão, a taxa não chegou ao recomendado por cientistas: encerrou a semana em torno de 75%.

No quadro geral da vacinação, deixamos para trás os Estados Unidos, que têm doses de sobra para imunizar toda a população, mas esbarram na resistência de americanos que se recusam a tomar o fármaco. Devido a esse obstáculo, o país enfrenta novo aumento de casos e de mortes por COVID-19, diante da escalada da variante delta, a mesma que causou a reviravolta em países europeus. A Casa Branca não consegue convencê-los a se vacinar, mesmo impondo restrições ou oferecendo vantagens, como pagamento em dinheiro, ou até mesmo diante dos números mostrando que os não-imunizados são praticamente 99% das vítimas da mutação, identificada primeira na Índia e hoje principal causa de infecções no mundo inteiro.

Neste momento, no Brasil, com os indicadores de gravidade da COVID-19 em queda desde julho, há prefeitos e governadores flexibilizando as medidas de proteção contra o coronavírus. Nas ruas das cidades, contudo, é possível ver que a maioria da população continua a usar máscara, que, depois da vacina, tem se mostrado o meio mais eficaz de escapar do vírus. Em estádios de futebol, no entanto, observa-se um liberou geral entre torcedores, atitude imprudente que pode resultar em revezes indesejados, a exemplo dos EUA e países da Europa e da Ásia.

Por isso, enquanto o país não atingir o mínimo considerado seguro de pessoas com o ciclo vacinal completo, o mais prudente é cada um de nós manter a proteção facial sempre que estiver em meio a aglomerações. Afinal, não vale a pena correr o risco de retrocesso diante de um vírus tão letal e que já causou a morte de mais de 610 mil brasileiros. A humanidade enfrentou e derrotou pragas terríveis, como a peste bubônica do século 14 e a gripe de 1918. Hoje, a ciência conta com arsenal muito maior de conhecimento para derrotar a COVID-19. Mas todos podemos e devemos dar nossa contribuição para apressar o fim da pandemia.


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