Roberto Carvalho
Ex-vice-prefeito de BH e autor do Marco
Regulatório da Região Metropolitana de BH
É inequívoca a importância do Rodoanel na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Num país onde toda sua produção e logística tem no asfalto sua solução – por completa falta de planejamento e compromisso com o desenvolvimento de governos que liquidaram nossa malha ferroviária –, o gargalo viário da RMBH é um entrave real ao crescimento brasileiro e de Minas Gerais, além de ser responsável pela desaceleração de investimentos na região metropolitana.
É fato que uma obra como essa traz impactos positivos e negativos sejam ambientais, sociais e financeiros, e sabemos todos que uma ação como essa não pode ser realizada sem que os envolvidos (população, governos, cadeia produtiva) façam parte do planejamento. Essa obra é fundamental e o governo do estado de Minas Gerais tem meca- nismos para a construção de uma solução participativa através da Assembleia Metropolitana e da Agência Metropolitana, que tem como prerrogativa a participação dos municípios, governo do estado e sociedade civil no planejamento e desenvolvimento da RMBH. Por lei, todos os problemas e soluções da região devem ser apresentados, debatidos e aprovados ou não pela Assembleia Me- tropolitana e as diretrizes construídas pela Agência de Desenvolvimento Metropolitano, o que, ao que parece, foi completamente ignorado pelo estado.
Mas a grande novidade desse processo foi que tendo o governo Zema desconhecido literalmente que a RMBH é um ente constituído por estado e municípios, os prefeitos fizeram o papel do estado, se uniram em prol do desenvolvimento socioeconômico metropolitano e tomaram para si o protagonismo de apresentar um projeto que leva em consideração as características urbanísticas, ambientais, sociais e seus impactos.
A alternativa apresentada em Betim, com presença de prefeitos da Grande BH e do Médio Paraopeba, muda o traçado proposto pelo governo do estado, observando o adensamento urbano, impacto ambiental, patrimônio geológico, gentrificação, além de apresentar alternativas racionais que interliguem o Rodoanel às BRs 381, 040 e 262, fundamentais para a logística brasileira e regio- nal, com um orçamento menor do que o governo estadual, com menos impacto negativo à população, ao minimizar o número de desapropriações, evitar trincas à urbanização, consolidada há décadas, e excluir a cobrança de pedágios. Já que a obra será realizada com recursos da indenização da tragédia da Vale em Brumadinho, que impactou aquela cidade e toda a região.
É preciso parabenizar a iniciativa de todos os prefeitos envolvidos nesse projeto e na luta por um desenvolvimento mais humano e sustentá- vel, mas há de se observar, no mínimo com estranheza, a não participação da Prefeitura de Belo Horizonte, epicentro da RMBH e que tanto tem sofrido com os problemas causados pelo esgotamento viário do Anel, que há muito impacta seu desenvolvimento e assiste a belo-horizontinos perderem a vida em grandes tragédias naquele que há muito deixou de ser um Anel Rodoviário, e se transformou numa Avenida da Morte.
Enquanto cidadão metropolitano e que acre- dita que as soluções para os grandes problemas de nossa região e do país só são viáveis quando todos os atores se unem em prol do bem comum, espero que o projeto apresentado pelos prefeitos seja norteador do Rodoanel.