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O que se passa


24/10/2021 04:00

Aleluia Heringer Lisboa
Diretora de Relações Institucionais e ASG do Colégio Santo Agostinho
 
É possível sentir o vento provocado pela célere movimentação e transformações pelas quais passa a humanidade. Por não entendermos tudo o que acontece e não encontrar os marcos referenciais em que antes nos situávamos, padecemos de grande desconforto cognitivo e psicológico. Muitas vezes, não nos encontramos dentro do próprio corpo. Ao nos depararmos com seres humanos que reviram a lata de lixo e comem com voracidade, entendemos e falamos como o poeta Manuel Bandeira: “Não era um cão; não era um gato; não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem”. Aqui, a crise passa a ser existencial.
 
Nesse emaranhado, podemos arriscar três propulsores que se alinharam e são partes dessa explosão. O on-line e o off-line nos levaram ao extremo.
 
No on-line, tudo é possível. Não existem tempos, estações e limitações espaciais. Ainda não acertamos a mão e, na ânsia de sempre “performar” mais e melhor, chegamos à saturação e exaustão, conforme retrata Byung-Chul Han no seu livro “Sociedade do cansaço”. Sem crítica e interdições, nós nos entregamos aos encantos e promessas do mundo high-tech.
 
Por sua vez, no off-line, temos 24 horas para conciliar nossas necessidades básicas. Aqui, definitivamente, vem um forte cheiro de terra a nos lembrar que somos animais mamíferos e que, por ora, não suportamos tudo.
 
Hoje, entendemos por experiência o quanto a vida é efêmera. Os 4,55 milhões de vidas perdidas no mundo afrontam nosso projeto de Homo Deus e nos colocam próximos da relva que floresce e viceja e, à tarde, murcha.
 
A crise climática, terceiro propulsor, apesar de ignorada por décadas, já é ouvida, vista e sentida. Sua marcha é pesada, estrondosa e impiedosa, a ponto de fazer soar a trágica pandemia como um prelúdio. Aqui, residem as mudanças estruturais, as mais profundas, que impactarão todos.
 
Pensamos: tudo é grande demais. A tendência é nos recolhermos à nossa insignificância e impotência; contudo, cientes de nossas responsabilidades, não podemos nos acomodar. Felizmente, há muitas iniciativas potentes vindas de todas as áreas. É nesse presente caos que está o futuro.
O futuro passa pelos 12 dias de negociações da COP-26, em Glasgow, que se inicia agora, em 31 de outubro. Ali não estão super-homens e supermulheres, mas, sim, indivíduos, como eu e você, que um dia passaram pelos bancos de uma escola. Daí apostarmos nessa instituição e na sua rede de alta capilaridade social, capaz de cultivar uma cultura ecológica.
 
O futuro passa pelos atos rotineiros, no envolvimento e força de pessoas comuns, anônimas, simples. O rumo, as tendências, as modas, o mercado, as disputas de sentidos e narrativas passam pelas bandeiras que levantamos, causas que sustentamos, daquilo que compramos. Nossas escolhas não são ingênuas e, muito menos, neutras. Criamos grandes mosaicos, imagens que mandam recados e anunciam ao próximo e ao mundo o que queremos querer e edificar. Não levante a placa roxa se você acredita na marrom. É nas microrrelações sociais, na educação, nos nossos escritos, falas e silêncios que daremos ritmo e contorno para esse movimento ainda descontrolado e veloz.  


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