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Estado de Minas editorial

Contribuições e reveses da CPI

Nada terá sido mais forte na CPI do que os depoimentos de familiares das mais de 600 mil vítimas do coronavírus


20/10/2021 04:00

Se não acontecer um novo adiamento de última hora, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID vai fazer hoje a leitura do seu relatório final, apontando os responsáveis por erros e omissões no combate à pandemia que ceifou a vida de mais de 600 mil pessoas no país e que continua matando centenas de brasileiros todos os dias, apesar da melhora nos indicadores.
Desde o seu início, em abril – e até mesmo antes –, a CPI representou uma queda de braço entre governistas e oposição. Serviu de palanque para que o governo fosse atacado por senadores e o próprio governo se defendesse e re- vidasse contra os seus adversários. Foi assim ao longo dos mais de seis meses de trabalho. 
 
Mas, à parte o intenso jogo político, a contribuição mais efetiva da CPI foi a de dar visibilidade – e sistematizar – os diversos erros cometidos no combate à pandemia no país. É inegável a importância da Comissão para mostrar mais do que o inimigo invisível coronavírus por trás de hospitais lotados, das covas abertas em série nos cemitérios e das milhares de famílias enlutadas. Negligência, inépcia e descaso ficaram evidentes e contribuíram decisivamente para a ampliação da tragédia na saúde.
Se não fosse pela CPI, dificilmente saberíamos que o governo protelou a compra de vacinas da Pfizer, ignorando os contatos da farmacêutica. Não fossem as sessões da comissão, também não teríamos a dimensão do que aconteceu nos hospitais de Manaus, onde pacientes serviram de cobaia em tratamentos ineficazes.
 
Foi pelo trabalho da comissão do Senado que os brasileiros tiveram a noção de como o governo apostou todas as suas fichas em medicamentos que não tinham qualquer respaldo da ciência para combater a COVID-19, como a cloroquina, que foi produzida e distribuída aos mi- lhões de comprimidos pelo Exército.
 
Soubemos também dos indícios de superfaturamento de medicamentos, das negociatas entre empresas fornecedoras com autoridades do Ministério da Saúde, entendemos melhor os motivos que levaram à queda de dois ministros que se pautavam pela ciência.
 

Ficamos sabendo também da suspeita de que existiu ao longo de todo esse tempo de enfrentamento da COVID-19 um grupo de aconselhamento paralelo ao presidente da República, que passava por cima das atribuições do Ministério da Saúde. Mas também houve muitas ações histriônicas, vaidades exa-cerbadas e discussões acaloradas que somente serviram de combustível para acentuar a polarização reinante no país. Esses reveses ficaram ainda mais evidentes nos últimos dias, já que o próprio comando da comissão admitiu publicamente, em entrevistas, divergências profundas a respeito do indiciamento de autoridades do governo federal.   
  
De tudo o que foi revelado, prevalece uma certeza. Nada terá sido mais forte na CPI do que os depoimentos de familiares das mais de 600 mil vítimas do coronavírus. Brasileiros marcados pela dor que merecem o respeito e a empatia de todos nós. E a Comissão Parlamentar de Inquérito acertou ao amplificar essas vozes.


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