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Estado de Minas editorial

Inflação e fome sem controle

A chaga do desemprego continua aberta e afeta cerca de 14 milhões de profissionais, excluídos os desalentados


25/09/2021 04:00

Os recorrentes aumentos no preço dos combustíveis e o encarecimento da energia elétrica, devido à crise hídrica, foram os vilões do avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que ficou em 1,14%, o mais alto dos últimos 27 anos, quando registrou 1,63%, em setembro de 1994, início do Plano Real. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada chega a 10,05% (ultrapassa os dois dígitos), segundo a prévia divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O índice não surpreendeu o setor financeiro, mas ficou acima do que projetavam os especialistas. A escalada inflacionária, somada à elevação da taxa Selic em um ponto percentual, anunciada no meio da semana pelo Banco Central, torna tudo mais difícil para o país se reencontrar com a trilha do crescimento. Juros mais altos travam o custo de vida, mas inibem o acesso ao crédito e, na sequência, os investimentos do setor produtivo. Ou seja, é mais um fator adverso à retomada do crescimento econômico e da oferta de oportunidades no mercado de trabalho.

A chaga do desemprego continua aberta e afeta cerca de 14 milhões de profissionais, excluídos os desalentados – quase 6 milhões de brasileiros que desistiram de procurar uma vaga de trabalho. Assim, a crise se torna mais profunda, quando o país precisa emergir, levando em conta todos os danos sociais causados pelo desequilíbrio provocado não só pela pandemia do novo coronavírus, mas também pela paralisia do Congresso ante as reformas estruturais que patinam em debates estéreis e que nada somam a favor do país. Os gastos públicos, por sua vez, são inflados, mas sem impacto positivo na vida da população.

As crises políticas envolvendo os poderes também colaboraram para desviar as energias dos que têm prerrogativa de decisão sobre o que seria essencial para guindar o país do atual atoleiro. Diferentemente de outras nações, que conseguiram contornar os efeitos negativos da pandemia, o Brasil se vê mergulhado no caos socioeconômico. A fome e a miséria se alastram, vitimando os brasileiros com a mesma intensidade da pandemia.

Desde 2020, o número de brasileiros abaixo da linha da pobreza triplicou, ou seja, passou de 9,5 milhões para mais de 27 milhões de indivíduos em situação de miséria. Os valores dos auxílios emergenciais são muito baixos, considerando o aumento dos alimentos, e tornam inacessíveis o consumo de produtos essenciais à segurança alimentar das pessoas. Os alertas estão dados. O poder público precisa intervir na agenda econômica por meio de uma concertação positiva e eficaz com o Congresso. O momento impõe ações capazes de conter a inflação e mitigar o flagelo social. E isso é para ontem.


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