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Estado de Minas artigo

Educação para os primeiros nativos digitais

A geração Z é questionadora e precisa ser constantemente estimulada e desafiada, sobretudo no ambiente escolar


18/09/2021 04:00







Flávia Alcântara
Professora do curso de pedagogia da Estácio 
Belo Horizonte, psicopedagoga, doutora em educação


A “primeira linhagem de nativos digitais”, também chamada de Gen Z, iGeneration, Plurais, Centennial ou geração Z, contempla aqueles que nasceram entre a segunda metade dos anos 1990 e o fim de 2010. Entender como esses jovens se comportam, seus desejos e expectativas poderá ajudar educadores a buscarem novos caminhos para um processo de aprendizagem mais efetivo e atraente.   

Afinal, para uma geração marcada pela interatividade, conectividade e imediatismo é imprescindível pensar em propostas de ensino “fora da caixa”. Sabe aquele estilo de aula em que o professor fala por horas diante de um público atento? Essa abordagem não funciona para os iGeneration, que lidam com uma incrível variedade de informações e redes de interação de forma concomitante e frenética.
 
 
 
 
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Ao contrário de seus pais e avós, gerações Y (1981-1996) e X (1965-1980), os Zapping (Z) não tendem a se planejar em função de um diploma ou de uma capacitação profissional que lhes traga estabilidade e segurança no futuro, pois seu perfil está mais ligado à busca da felicidade e satisfação imediata nas tarefas executadas.

A ideia de uma submissão hierárquica, na qual pais e professores ditam as ordens que serão acatadas voluntária e passivamente pelos filhos e alunos, não condiz com a realidade desses indivíduos plurais e questionadores. Ações autoritárias não são bem recebidas, ao contrário, tendem a criar resistência e reatividade, falta de co- operação e rebeldia.

Adepta do pensamento lógico, autodidata e multitarefa, a geração Z é questionadora e precisa ser constantemente estimulada e desafiada, sobretudo no ambiente escolar. Professores e gestores são frequentemente indagados sobre a utilidade e aplicabilidade dos conteúdos apresentados. “Por que tenho que aprender sobre geologia? Qual a finalidade de decorar essa fórmula matemática? De que maneira esse conceito será aplicado em minha vida concretamente?”

Portanto, os educadores se deparam com o desafio de pensar na formação de gerações cada vez mais versáteis, submersas em uma avalanche de conteúdos freneticamente atualizados, e que apresentam dificuldades em se concentrar por um período prolongado em uma mesma atividade. Um contexto que, aliás, tende a gerar indivíduos desatentos, ansiosos e altamente estimulados pela imensidade de informações. Em contrapartida, são pessoas com grande capacidade de aprender rapidamente, pois vivenciam múltiplas realidades, presenciais e digitais, concomitantemente.

A flexibilidade tem sido um ponto de atenção das escolas na busca por manter o interesse dos Centennial. As práticas pedagógicas e os conteúdos escolares têm sido constantemente repensados pelas instituições de ensino, como a utilização de vídeos do YouTube, aplicativos educacionais e games interativos. Embora esses recursos não substituam o papel do professor, dos livros e do ambiente escolar, um ensino pautado em aulas expositivas tradicionais não se sustenta mais. 

Pensando mais à frente, são sujeitos que não almejam fazer uma única coisa ao longo de toda a vida ou investir em uma carreira em uma só empresa; vivem uma busca incessante pela autorrealização. Encabeçam novas realidades trabalhistas mais fluidas, com tempos e espaços menos rígidos, apostando em serviços home office ou investindo profissionalmente no universo virtual por meio de blogs e mídias digitais, como YouTube, Instagram, Tik Tok etc..


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