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Estado de Minas editorial

O preço do descaso

Em vez de atacar o IBGE, o ministro deveria fazer o que lhe cabe, uma vez que o órgão está sob a sua alçada


01/08/2021 04:00 - atualizado 31/07/2021 21:41

O ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável por alguns dos mais importantes levantamentos sobre a realidade brasileira, por discordar dos resultados da pesquisa sobre desemprego, que mostra 14,8 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho. Ele afirmou que o instituto ainda “está nos tempos da pedra lascada”. O IBGE é uma das mais respeitadas instituições do país tanto internamente quanto no exterior. Ao longo de sua existência tem dado contribuições fundamentais para a execução de políticas públicas. Isso não quer dizer, porém, que seu trabalho não possa ser aprimorado. Sempre pode. O problema é que não há vontade política por parte do governo de investir no instituto. Muito pelo contrário, o IBGE vem sendo esvaziado nos últimos anos, com seu orçamento cortado, a ponto de ainda não ter realizado o censo demográfico previsto para 2020.

Funcionários do IBGE dizem que têm pedido, reiteradamente, ao Ministério da Economia mais verbas para reforçar as pesquisas. Mas só ouvem “não”. Afirmam, ainda, que não há como o ministro querer comparar os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) com os da Pnad Contínua, devido às diferenças de suas metodologias. O Caged pega apenas registros de empregos com carteira assinada. A Pnad inclui o mercado informal, no qual está boa parte da população economicamente ativa. Guedes não se conforma com a taxa de desemprego estar em 14,6%, quando o país criou mais de 1,5 milhão de postos formais nos primeiros seis meses do ano.

Em vez de atacar o IBGE, o ministro deveria fazer o que lhe cabe, uma vez que o órgão está sob a sua alçada: dar instrumentos para que todos os aprimoramentos necessários possam ser feitos. Esse é o caminho correto, não o descrédito, marca de Guedes quando o assunto é o IBGE. Também seria de bom tom que o chefe da equipe econômica investisse mais tempo para formular e implementar, a curto prazo, políticas efetivas de combate ao desemprego.

Infelizmente, a indiferença com o trabalho do IBGE não é fato isolado. A falta de investimentos e o descaso com o alerta anunciado meses atrás resultaram no incêndio que consumiu parte do acervo da Cinemateca Brasileira, que abriga a história do cinema e da televisão no país.

Está claro que o incêndio no galpão da Cinemateca, em São Paulo, não foi um acidente. É resultado da tragédia em que se transformou a política cultural do país. Como pode uma preciosidade como o arquivo da Cinemateca, que tem gestão do governo federal, ter ficado tanto tempo sem cuidado? Uma cultura diversa é fundamental para a sociedade. E oferecer todos os meios para preservar o passado é obrigação de todos os governantes.

O questionamento da credibilidade do IBGE, as chamas que consumiram parte da história audiovisual do país na Cinemateca, o apagão sem precedentes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).... Três fatos ocorridos nas últimas semanas. Mas vale lembrar do que ocorreu em 2019 no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Com toda a sua expertise, o Inpe foi censurado por mostrar a trágica realidade das queimadas que estão destruindo a Amazônia e o Pantanal, em episódio que culminou com a demissão do diretor, Ricardo Galvão. O Brasil tem perdas imensuráveis – e irrecuperáveis – quando deixa de investir na manutenção de alguns de seus maiores patrimônios: o meio ambiente, a cultura, a história. É o preço do descaso.


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