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Lições da Alemanha e Bélgica

Medidas adotadas individualmente com consciência pelos cidadãos são indispensáveis, até para perceber que a solução não depende da engenharia convencional


24/07/2021 04:00 - atualizado 23/07/2021 22:53

Aloísio de Araújo Prince
Engenheiro, professor aposentado de drenagem
 urbana da Universidade Fumec
 
As gravíssimas inundações ocorridas recentemente na Alemanha, um dos países mais ricos do mundo e que mais tem se empenhado para minimizar os riscos e consequências das inundações causadas por efeitos climáticos extremos, é prova de que o enfretamento dessa questão somente terá chances de um resultado menos traumático e destruidor se todas as medidas preconizadas pela moderna engenharia de drenagem urbana forem adotadas simultaneamente e de forma ordenada e orgânica.
 
E quais são essas ações que devem ser realizadas simultaneamente, e com urgência: (1) medidas intensivas de engenharia (obras convencionais de construção civil); (2) medidas extensivas (controle do correto uso e ocupação do solo urbano; cuidado com a limpeza pública; alertas de cheias, defesa civil, remoção de ocupações em áreas de risco; medidas defensivas pela população; (3) tecnologias de engenharia alternativas e compensatórias (medidas de engenharia naturalística como caixas de captação e drenagem, jardins infiltrantes, pavimentos porosos, todos em edificações; e faixas vegetadas em passeios e canteiros viários; etc.).
 
Mais difíceis são as medidas de renaturalização das várzeas inundáveis, que é o caminho que a natureza começa a impor pela força    inexcedível das mudanças climáticas, como demonstrado nesta última tragédia ambiental, humana e material ocorrida na Alemanha e na Bélgica. É nesse tipo de evento que os alertas de tempestades e as medidas defensivas pela população e defesa civil se tornam indispensáveis para evitar perdas humanas e minimizar prejuízos materiais.
 
Precisamos refletir muito sobre tudo isso. Infelizmente, essa percepção ainda está longe de ser valorizada pela grande maioria dos engenheiros brasileiros e das autoridades públicas. Não podemos nos esquecer também de que medidas simples e adotadas individualmente com consciência e urgência pelos cidadãos são indispensáveis, até para perceber que a solução não depende apenas de ações da engenharia convencional.
 
E o que está sendo feito em Belo Horizonte nesse sentido? Notícias a respeito só aparecem após as inundações. Passa-se quase o ano inteiro sem maiores preocupações. A população e seus representantes são mantidos num limbo de informação e, assim, poucos cobram das autoridades as ações coerentes que lhes cabem, além de se esquecerem das ações individuais que cada cidadão deve tomar para si.
 
Até quando essa letargia perigosa irá persistir? Sugiro que a Comissão Especial de Drenagem Urbana da Câmara Municipal de Belo Horizonte realize audiências públicas quadrimestrais para que ocorram os indispensáveis acompanhamentos, envolvimentos, discussão e cobranças pela população e da sociedade organizada.
 
A PBH não pode priorizar apenas as necessárias obras de bacias de detenção de águas de chuva (piscinões), como vem fazendo. Sem as tecnologias naturalísticas, essas obras logo se tornarão obsoletas e insuficientes.
 
Quando iremos de fato mudar a maneira de entender e agir em relação aos riscos e consequências das inundações causadas por chuvas extremas que acontecem em nossa cidade? Chorar após o leite derramado não resolve. São necessárias medidas urgentes, que sejam sábias, racionais, integradas, contínuas e permanentes por parte de toda a coletividade e seus governantes. Além é claro do maior empenho de todos nós no combate às causas das mudanças climáticas.
 
 


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