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Estado de Minas editorial

Explosão de fome na pandemia

Diante da atual situação, o mundo não deve atingir a meta de zerar a fome até 2030, um dos objetivos propostos pela ONU


13/07/2021 04:00



São estarrecedoras as consequências da pandemia do novo coronavírus no mundo, com quase 190 milhões de casos confirmados e mais de 4 milhões de mortes. No seu mais recente relatório, "O estado da segurança alimentar e nutricional no mundo", a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostra que a COVID-19 desestruturou famílias, afetou drasticamente a economia, exacerbou desigualdades e pode atrasar em 15 anos o combate à fome no planeta. Trata-se do primeiro levantamento do gênero em meio a uma pandemia.

Em 2020, destaca a instituição no documento, entre 720 milhões e 811 milhões de pessoas no mundo passaram fome. E, pela primeira vez na vida, ao menos 118 milhões de habitantes enfrentaram esse drama. No levantamento, a FAO relata que mais da metade de todas as pessoas subnutridas no mundo vivem na Ásia (418 milhões), mais de um terço (282 milhões) na África e cerca de 60 milhões na América Latina e no Caribe. Mas é no continente africano, onde atinge 21% da população, que o flagelo da fome registrou o aumento mais acentuado em 2020. "É mais que o dobro de qualquer outra região", ressalta o documento. Na América Latina, a subnutrição alcança 9,1% dos habitantes.

Com relação à fome no Brasil, onde cerca de 19 milhões de pessoas foram infectadas e mais de 530 mil já perderam a vida na pandemia, o estudo da FAO assinala que o país tem indicadores melhores que a média latino-americana. No país, a prevalência da subnutrição entre 2018 e 2020 ficou abaixo de 2,5%. Mesmo assim, o relatório mostra que cerca de 12 milhões de habitantes começaram a sofrer com a falta de comida de forma moderada ou severa nos últimos quatro anos, situação que se agravou depois do início da pandemia no ano passado. Esse contingente equivale ao da cidade de São Paulo, município mais populoso do país.

Diante da atual situação, o mundo não deve atingir a meta de zerar a fome até 2030, um dos objetivos do desenvolvimento sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU). “A COVID-19 é só a ponta do iceberg”, relata o documento da FAO. “O mais alarmante é que a pandemia expôs as vulnerabilidades formadas nos nossos sistemas alimentares nos últimos anos por conflitos, mudanças climáticas, crises econômicas. Esses fatores estão acontecendo cada vez mais simultaneamente, com efeitos que agravam seriamente a segurança alimentar e nutricional.”

Em relatório recente, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) observou que na maior parte dos países desenvolvidos ou em desenvolvimento as desigualdades já estavam ocorrendo antes mesmo de o novo coronavírus desestruturar o planeta. “Há um risco real de que o fosso da crise da COVID aprofundará a desigualdade e a exclusão, a menos que os governos ponham os empregos no coração da recuperação”, alertou a OCDE no estudo “Panorama do emprego 2021”. No mundo inteiro, a COVID-19 tornou-se o pior de todos os pesadelos.


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