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Construção civil vive maior inflação em 28 anos

A inflação tem encarecido a construção de imóveis e feito com que diversas construtoras adiem seus lançamentos


28/06/2021 04:00 - atualizado 27/06/2021 21:09

Renato Las Casas
Diretor comercial da empresa de revestimentos sustentáveis Ecogranito

 Em maio, os produtos da construção civil atingiram o maior nível de inflação acumulada em 12 meses dos últimos 28 anos, segundo dados de um levantamento realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), tendo por base o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10). Em média, materiais e equipamentos para construção, sem frete e sem impostos, alcançaram um percentual de inflação de 38,66% em um ano. No mesmo período, a inflação de materiais, equipamentos e serviços dentro do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) cresceu 30,86%, também chegando ao seu pico.

Existe uma série de fatores que impulsionou a elevação dos preços na construção civil. Dentre eles estão o avanço rápido dos valores de commodities minerais e metálicas. Normalmente, estes insumos servem de matérias-primas para a fabricação de produtos do setor. Outras importantes ocorrências que contribuíram para o progresso da inflação no segmento foram o aumento da procura por projetos residenciais, a escalada do dólar, a alta nos valores de fretes e a majoração da complexidade em importar itens utilizados no setor para atender o mercado doméstico.

Não é novidade para ninguém que a cotação dos materiais de construção vem subindo e continua bem alta desde 2020. No entanto, é preciso ressaltar que a taxa de inflação registrada em 12 meses até maio deste ano chegou a superar os índices identificados anteriormente ao Plano Real, período que foi fortemente marcado pela hiperinflação. Por aí, já dá para se ter uma noção do tamanho do problema.

A permanência do dólar em alta estimula o aumento dos preços de commodities de forma geral, pois os valores destes itens são determinados de acordo com a moeda americana.

Desde o início da crise sanitária, o dólar tem se mantido valorizado em comparação com o real, expondo pequenas quedas em situações bem pontuais. Em 2021, a alta mais expressiva ocorreu em março, de 2,25%, para R$ 5,6386. Este cenário positivo para a moeda americana contribuiu para que duas importantes commodities muito usadas como matéria prima na construção civil sofressem significativas variações de preços. O minério de ferro, por exemplo, subiu 97,61% entre março de 2020 e maio deste ano. Já o cobre, apresentou um aumento de 111% no mesmo período.

Acredito que a inflação da construção civil em nosso país somente será controlada quando forem resolvidos quatro problemas: carência de matéria-prima, desorganização do comportamento de consumo, dólar alto e fretes dispendiosos.

Os desafios são grandes e muito complicados, mas não existem outras alternativas. É preciso que os preços atinjam um equilíbrio para que o setor se mantenha em desenvolvimento, pois, caso contrário, lidaremos com muitos obstáculos pela frente. É importante lembrar que um frete nas alturas impacta diretamente nos valores de logística que, por sua vez, também afetam a cotação dos produtos. Tudo está interligado, então é essencial que medidas coordenadas sejam tomadas para que essa situação encontre um caminho. A inflação tem encarecido a construção de imóveis e feito com que diversas construtoras adiem seus lançamentos, não é possível seguir assim.     
 


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