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Estado de Minas editorial

500 mil mortos, e segue a balada

O baile da insensatez se repete país afora, com eventos reunindo centenas de pessoas sem nenhum cuidado contra o avanço do coronavírus


22/06/2021 04:00

Mesmo no fim de semana em que o Brasil ultrapassou a fúnebre marca de mais de 500 mil mortes por COVID-19, uma parcela da população simplesmente ignorou a tragédia, continuou a desrespeitar as mais elementares medidas de proteção contra a doença e, não bastasse tamanha desumanidade, foi para a balada. Tudo como se nada de errado estivesse ocorrendo no país. Sem expressar nenhum lamento, nenhuma condolência, nenhuma compaixão pelos que perderam a vida, pelo luto das famílias destroçadas, pela dor dos amigos das vítimas.

O baile da insensatez se repete país afora. No Distrito Federal, no sábado à noite, poucas horas depois de confirmada a informação de que o coronavírus já havia matado mais de meio mi- lhão de brasileiros, a Polícia Militar flagrou e acabou com uma festa clandestina que acontecia em uma chácara da Região Administrativa de Vicente Pires. No local, havia cerca de 400 pessoas. Muitas sem máscara e sem respeitar o distanciamento social.

Em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, outro flagrante. A partir de denúncia anônima, uma operação conjunta que reuniu a Guarda Municipal, a PM e fiscais de postura da cidade interrompeu evento clandestino em sítio alugado no qual 150 pessoas se aglomeravam. Todas sem máscaras e sem nenhuma preocupação em manter distância mínima de outros participantes da balada, que foi convocada por meio das redes sociais e contava até com a animação de DJ.

Em um hostel na Vila Mariana, reduto boêmio na Zona Sul de São Paulo, policiais flagraram cerca de 200 pessoas dançando, sem máscara, ao redor de uma piscina. Em Osasco (SP), blitz da Vigilância Sa- nitária identificou cerca de 600 participantes em balada; 400 estavam sem a proteção facial. No Rio de Janeiro, agentes da prefeitura conseguiram impedir festa para 200 convidados, com bebida liberada, dentro de uma embarcação que partiria de píer clandestino na Praia da Urca. Em Curitiba, Ação Integrada de Fiscalização Urbana encerrou aglomerações e festas clandestinas que reuniam 823 participantes, em três bairros diferentes.

É dentro desse contexto sombrio, agravado pelo comportamento do presidente da República, Jair Bolsonaro, que questiona a obrigatoriedade do uso de máscaras  por pessoas vacinadas ou que já tiveram a doença, que a oposição decidiu contra-atacar. Apesar de orientar os participantes a usarem máscara e a manter distância mínima uns dos outros, as aglomerações têm sido inevitáveis nos protestos, como os do último sábado, em que manifestantes pediam mais vacinas e, também, o impeachment do chefe do Executivo.

Em meio a esse assustador cenário de crescente insensatez, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que o país pode chegar à aplicação de 2,4 milhões de doses diárias de vacinas contra a COVID-19 e concluir a imunização de adultos, com a primeira inoculação, até o fim de setembro. Enquanto a turma da balada debocha da vida, especialistas alertam que o país está na iminência de enfrentar uma terceira onda de coronavírus e defendem que, além de acelerar a vacinação, o Brasil promova testagem massiva e realize campanha de conscientização sobre as medidas protetivas. Se o país não intensificar os cuidados, advertem, esse quadro, que já é demasiado trágico, pode se agravar, levando a consequências ainda mais devastadoras.


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