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Estado de Minas editorial

Mais perto da vacina nacional

Existe a expectativa de que a Anvisa autorize, ainda nesta semana, o início dos testes com a Butanvac em humanos


08/06/2021 04:00





Sem conseguir acelerar a imunização em ritmo necessário para estancar a escalada de mortes e casos de infecção pelo novo coronavírus, o Brasil está prestes a dar um importante passo para conseguir a independência na produção de uma vacina contra a COVID-19. É que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) requisitou dados adicionais do Instituto Butantan (SP) e existe a expectativa de que autorize, ainda nesta semana, o início dos testes com a Butanvac em humanos.

Até aqui, as informações disponíveis são de que os ensaios com o imunizante em laboratório, inclusive os experimentos com animais, têm evoluído com sucesso. Por isso, espera-se que receba o sinal verde da Anvisa para começar as fases de 1 a 3, com voluntários. Baseada em tecnologia desenvolvida e cedida pela Icahn School of Medicine, do Hospital Mount Sinai, de Nova York (EUA), a Butanvac será produzida utilizando a mesma expertise que o Butantan já emprega hoje na fabricação da vacina contra a gripe.

Em nota, o instituto brasileiro informou que o emprego da tecnologia disponibilizada pelo Hospital Mount Sinai é livre do pagamento de royalties. E está aberta à possibilidade de ser utilizada por qualquer instituição de pesquisa do mundo que tenha inte- resse em integrar o consórcio. “Contudo, não se tem uma vacina apenas com essa tecnologia de obtenção do vírus. Nesse ponto começa o desenvolvimento da vacina completamente com tecnologia do Butantan”, destaca o comunicado do instituto.

Apesar da participação de cientistas americanos na sua concepção, a vacina do Butantan terá produção 100% nacional, pois não haverá necessidade de importação de qualquer tipo de insumo. Na Tailândia e no Vietnã, que também integram o consórcio para uso da tecnologia da universidade nova-iorquina, que buscava parceiros com condições de desenvolver e produzir o fármaco, o imunizante está na primeira fase de testes com voluntários. E o melhor: sem apresentar efeitos adversos até agora.

No Brasil, o diretor do Butantan, Dimas Covas, afirma que o imunizante deve ser mais barato do que os existentes no mercado e, além disso, mais completo, pois vai incorporar aprimoramentos dos atuais fármacos no combate a novas variantes do coronavírus. Além disso, poderá ser replicado para acelerar a imunização em países mais pobres. Isso porque uma das premissas do consórcio internacional é não estabelecer patente.

Otimista com os resultados obtidos pela Butanvac até aqui, Covas reafirmou que, como planejado, o instituto iniciou a produção da vacina ainda no fim de abril. Em entrevista coletiva, ontem, o governador de São Paulo, João Doria, reforçou o otimismo. “Evidentemente, vamos aguardar a autorização da Anvisa, mas já temos 7 milhões de doses prontas, estocadas, armazenadas e refrigeradas no Instituto Butantan”, afirmou.


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