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Estado de Minas editorial

À esera de respostas

A CPI, por si só, não é remédio. Suas conclusões não serão ressuscitadoras das vítimas do vírus


29/05/2021 04:00

Em 27 de abril, quando o país lamentava 402 mil mortes pela COVID-19, ocorreu a primeira sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, criada pelo Senado com o objetivo de investigar as ações e omissões do governo federal e o uso de verbas federais em estados e municípios no enfrentamento da maior crise sanitária dos últimos 100 anos. A CPI só foi instalada após decisão do Supremo Tribunal Federal, que acolheu representação de parlamentares, autores do pedido de apuração sobre as iniciativas do Executivo em relação à pandemia.
 
O primeiro caso de COVID-19 no Brasil foi detectado no fim de fevereiro de 2020, em um indivíduo que retornou da Itália, onde a doença se alastrava como rastilho de pólvora. O governo brasileiro, por sua vez, não acreditou no alerta da ciência nem na advertência da Organização Mundial da Saúde (OMS), de que era preciso usar máscaras e manter distanciamento físico. Entendeu que se tratava de uma “gripezinha”, como afirmou o presidente em pronunciamento à nação, na noite de 24 de março de 2020. Àquela altura, o país havia registrado 1.468 casos, dos quais 10% precisaram de hospitalização.
 
Ao completar um mês de apuração, a CPI ouviu todos os ex-mi- nistros da Saúde do atual governo – Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello, o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga, além do presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, do ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten, do presidente regional da farmacêutica Pfizer, Carlos Murillo, do ex-chanceler Ernesto Araújo, da secretária de gestão do trabalho e da educação na saúde, do Mi- nistério da Saúde, Mayra Pinheiro, e do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.
 
Covas afirmou que o Brasil poderia ter sido o primeiro país a iniciar a vacinação no planeta. Ou seja, teria saído à frente do Reino Unido, que começou a imunizar os britânicos em dezembro último. Porém, o instituto não contou com o interesse da União para avançar tanto nos estudos quanto na produção de vacinas. Pelo contrário. Embora a produção de imunizantes pelo Butantan seja reconhecida mundialmente, pelo seu grau de excelência, o governo federal desencadeou uma campanha de depreciação do trabalho da instituição. Hoje, a CoronaVac, produzida em parceria com o laboratório chinês Sinovac, é a mais aplicada em todo o país.
 
Em seus primeiros 30 dias de trabalho, a CPI colecionou informações muito importantes, apesar da série de contradições e mentiras de depoentes. Os senadores governistas tentam descolar do governo as denúncias, respaldadas em documentos, e afastar do Palácio do Planalto qualquer responsabilidade pelo avanço da maior crise epidemiológica do país. Trata-se de uma tarefa difícil para os aliados diante dos fatos que comprovam a conduta anticiência e os interesses políticos que impuseram obstáculos à imunização dos brasileiros.
 
Hoje, o país está próximo a 500 mil mortes, sem perspectivas de queda ante a falta de imunizantes. Menos de 15% da população tomou a segunda dose das vacinas e segue vulnerável ao vírus. O poder público ignora as recomendações de médicos e sanitaristas. Insiste em incitar a população a desrespeitar as orientações da ciência e da medicina. A rede pública hospitalar se mantém no limite da sua capacidade e os profissionais de saúde mostram-se exauridos diante do esforço de salvar vidas, agora ameaçadas pela terceira onda da crise. A CPI, por si só, não é remédio. Suas conclusões não serão ressuscitadoras das vítimas do vírus. Mas ainda há tempo de o Congresso alterar este roteiro fúnebre.


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