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Saúde bucal X COVID-19


07/05/2021 04:00

André Luiz Pataro
Cirurgião-dentista, doutor (PhD) e mestre em 
odontologia e especialista em periodontia
 
O caos sanitário que a COVID-19 provoca na maior parte do mundo tem suscitado inúmeros debates sobre a doença: sem estender tanto, podemos citar apenas as polêmicas que envolvem o tratamento precoce, o plano de vacinação adotado em diferentes países, a eficácia das vacinas disponíveis ou mesmo os motivos para a falta de leitos de UTI, que tem levado a um colapso na saúde.

Os debates correm no mesmo fluxo dos acontecimentos, e, talvez por isso, muitas abordagens acabam sendo deixadas de lado. Um exemplo é a alta proporção de mortes por intubação no Brasil. Uma pesquisa da BBC News Brasil revela que 80% das pessoas que foram intubadas por causa da COVID-19 em 2020 vieram a óbito. Em uma estatística como essa, a doença protagoniza um cenário que pode estar escondendo outro fator preponderante para tantas mortes.

Estamos falando de saúde bucal. A intubação, melhor definida como ventilação mecânica, consiste na introdução de um tubo que vai da boca até a traqueia, permitindo uma respiração mais adequada ao paciente. O problema é que não há uma preocupação médica sobre o quadro bucal de cada pessoa antes de proceder com a intubação. E isso aumenta o risco de uma infecção iniciada na introdução do tubo pela boca.

A presença de infecções bucais pode elevar o risco de morte se forem transportadas para um ambiente mais fragilizado, como é o caso dos pulmões. Um artigo produzido por uma equipe de cinco profissionais do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP ainda em 2014 já chamava a atenção para a necessidade de adoção de um protocolo de higiene bucal para pacientes intubados numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Segundo o documento, as infecções na UTI podem ser abrandadas por meio de procedimentos que vão desde a lavagem das mãos até a aspiração constante de secreções orais. Porém, a exposição a agentes infecciosos na região bucal durante o período de intubação pode levar até mesmo à incidência de uma pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM). Não é, portanto, coincidência que a mortalidade pós-intubação, sobretudo em casos de COVID-19, esteja associada a um agravamento do quadro de saúde devido a uma pneumonia ou infecção pulmonar.

Outro importante estudo, divulgado em fevereiro pela Academia Americana de Periodontia (AAP), constata que a inflamação sistêmica que caracteriza a COVID-19 também pode ser um sintoma de doenças periodontais – enfermidades que envolvem a gengiva e os tecidos de suporte dos dentes. É dessa relação que emergem estudos que mostram que problemas gengivais podem estar intimamente relacionados às complicações mais graves da COVID-19.

O próprio presidente da AAP, James G. Wilson, conclui que “está bem estabelecido que a inflamação sistêmica não está apenas ligada à doença periodontal, mas também a várias outras doenças respiratórias. Portanto, manter dentes e gengivas saudáveis em um esforço para evitar o desenvolvimento ou agravamento da doença periodontal é absolutamente crucial no meio de uma pandemia global como a COVID-19, que também é conhecida por desencadear uma resposta inflamatória”.

Diante disso, fica bastante claro que a solução não reside necessariamente em algum caminho alternativo à intubação, mas à consciência das pessoas de que a segurança de um procedimento como a ventilação mecânica pode ser maior se começar pela prevenção do próprio paciente. E, mais importante, entender que um estado de saúde sistêmica, inclusive saúde bucal, pode evitar a expressão de casos mais graves de COVID-19, diminuindo o tempo de internação – quando necessário – e evitando a tão temida intubação.
Sendo assim, pensando-se em manutenção da saúde como um todo, com ou sem infecção por COVID-19, a prevenção da saúde bucal é fundamental para o equilíbrio e saúde sistêmica.  


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