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Estado de Minas editorial

A hora das explicações

É o trabalho do Legislativo, que não só deve cobrar a prestação de contas por parte do governo, como manter a sociedade informada


05/05/2021 04:00

A alegação do general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, de que não poderia comparecer ao depoimento marcado para hoje na CPI da COVID porque teve contato com assessores diagnosticados por infecção provocada pelo novo coronavírus foi encarada por integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito como a comprovação mais clara do temor do Palácio do Planalto com o que pode ser apurado pelos senadores que investigam as ações e as omissões do governo no enfrentamento da pandemia.

Pazuello é visto por analistas como o símbolo do desastre que resultou na morte de mais de 400 mil brasileiros pela COVID. Sua gestão recebeu críticas severas dos especialistas porque foi baseada no negacionismo e na disseminação de tratamentos sem respaldo de estudos científicos, que, em muitos casos, resultaram em sequelas mesmo em pessoas que não foram diagnosticadas com o vírus.

Informações publicadas no início da semana dão conta de que assessores do Palácio do Planalto passaram os últimos dias treinando o general para que ele conseguisse sair ileso do tiroteio previsto na CPI. Mas nem todo o preparo foi suficiente para evitar que, segundo relatos, o ex-ministro caísse em contradições e demonstrasse um grande nervosismo.

Quem acompanha a CPI sabe que o adiamento do depoimento de Pazuello poderá custar ainda mais caro. A partir das informações prestadas ontem pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta e por tudo o que será dito pelos próximos convocados, certamente os senadores estarão muito mais bem preparados para questionar o general. Mandetta traçou um roteiro cronológico dos fatos até ser demitido e destacou as contradições das atitudes do presidente, que acatava sugestões em reuniões ministeriais e depois as contrariava ao provocar aglomerações em saídas para passeios no fim de semana no Distrito Federal ou para acompanhamento, que serviam de endosso, de manifestações antidemocráticas na Praça dos Três Poderes. Com base no relato do ex-ministro, a Comissão Parlamentar de Inquérito deve buscar as provas necessárias para comprovar os erros do governo no combate à COVID.

É verdade que o depoimento de Mandetta não teve grandes revelações, pois ele repetiu muito do que vem dizendo nas diversas entrevistas que concedeu desde a sua demissão do Ministério da Saúde. Mas, ainda assim, abriu frentes importantes a serem investigadas, como a existência de um grupo com ascendência sobre o presidente, incluindo os filhos do presidente da República, que participam – e fazem anotações – de reuniões ministeriais.

A CPI da COVID está no começo, mas já se pode dizer que os senadores têm um grande serviço a prestar à nação. Não se trata de perseguição política, de inquisição, como afirmam alguns. É o trabalho do Legislativo, que não só deve cobrar a prestação de contas por parte do governo, como manter a sociedade informada. Ao longo da história, o Brasil conviveu com várias CPIs, algumas com resultados muito importantes.

Espera-se que, também desta vez, os responsáveis pelas investigações honrem os votos que receberam, que deixem os interesses pessoais de lado e se fixem na busca da verdade. Como destacou o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), não há como aceitar que a CPI acabe em pizza e o país fique sem respostas concretas para a calamidade à qual a população foi levada. Tanto na saúde quanto na economia. A Comissão Parlamentar de Inquérito deve esse favor ao país. E Pazuello tem muito a esclarecer.


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