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O bilionário mercado de carbono e ativos verdes


28/04/2021 04:00

Antonio Borges
Diretor-executivo da PlantVerd e coidealizador e cocriador do Ativo Verde (Resolução Sima 48/2020)


O ano de 2021 segue cheio de incertezas e num contexto de profunda emergência climática. O Brasil fechou 2020 com o maior número de focos de queimadas e desmatamento em uma década, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e o mundo está entrando em colapso climático após séculos de ampla exploração dos recursos naturais que põem em risco a sobrevivência da humanidade. Tudo isso somado a uma pandemia sem precedentes na história moderna.
 
Sim. A pandemia, antes de se tornar uma crise de saúde pública global, evidencia uma relação abusiva e predatória que estabelecemos com a natureza. Neste contexto de crise no qual tratamos nossas relações com o meio, não basta mais deixar de emitir carbono, é preciso capturá-lo. A negociação de direitos de emissão de carbono e ativos verdes, com compra e venda, numa espécie de commodity ambiental, pode render bilhões em medidas para redução das emissões.
 
Ao passo que os principais governos do mundo anunciam metas agressivas para descarbonizar suas economias com objetivos de se tornarem neutras para o clima, até o momento não há um debate amplo no Brasil sobre a importância de um mercado regulado de carbono que viabilize alternativas sustentáveis de desenvolvimento e criação de tecnologias limpas.
 
Estou certo de que o Brasil poderia adotar um mercado de precificação de carbono com integridade climática, governança transparente e participativa e proteção da competitividade. Não como mais uma nova carga tributária, mas por meio da compra e venda de ativos verdes e precificação do carbono a partir dos nossos passivos ambientais.
 
Hoje, o comércio de carbono concentra-se essencialmente no setor da energia, já que esse segmento é o maior emissor de gases de efeito estufa (GEE), com a queima de combustíveis fósseis, que respondem por 85% da geração no mundo, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE). Por outro lado, o Brasil tem diversos outros setores que podem negociar esses ativos e dar sustentação a uma economia pujante e de baixo carbono, rendendo bilhões de dólares neste mercado verde. Isso seria não apenas uma oportunidade real de uma retomada sustentável da economia, mas também a chance de o Brasil contribuir em dar uma resposta mundial ao aquecimento global por meio da manutenção da temperatura mundial abaixo de 20C acima dos níveis pré-industriais.
 
Ao permitirmos que nossos biomas sejam devastados, o Brasil desperdiça a oportunidade futura de receber bilhões de dólares com o mercado de carbono. Restam ainda projetos de reflorestamento. Essa não é só a maneira mais eficiente, mas também a mais barata forma de captura de carbono, ao mesmo tempo em que recuperamos áreas devastadas. Hoje, as primeiras ações do Projeto Ativo Verde vão restaurar mais de 50 hectares em São Paulo, permitindo o cadastro de propostas com o objetivo de gerar créditos para cumprimento de obrigações ambientais.
 
Outros estados, como Minas Gerais, poderiam utilizar em maior escala ações de restauração em atividades tidas como predatórias, como a mineração, como forma de compensação. Se por um lado isso representa um custo marginal adicional ao processo produtivo, por outro, estimula que as companhias sejam mais eficientes e induzam que as decisões empresariais levem em conta a variável carbono. De modo prático, se a poluição emitida gera uma externalidade negativa à sociedade, então é legítimo que isso deva incorrer em um custo de compensação.
 
Esse novo mercado pode definir a posição do Brasil nos compromissos globais, como a COP 26 este ano – em que o mundo vai exigir do país um posicionamento – e mais a longo prazo para o cumprimento das metas do Acordo do Clima de Paris para 2030.
 
Torna-se, assim, imperativo o papel de organizações que combinam dois objetivos antes vistos como incompatíveis: lucro e impacto socioambiental positivo. Somente a partir de modelos de negócio lucrativos que resolvam uma real necessidade da sociedade se pode gerar desenvolvimento e justiça ambiental pós-pandemia ao longo do tempo.


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