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Estado de Minas editorial

Nova chance para o Brasil

Todos sabem o que aconteceu em seus países, quando atearam fogo nos próprios parquinhos em busca da prosperidade


24/04/2021 04:00

A reviravolta no discurso de Bolsonaro na Cúpula de Líderes sobre o Clima surpreendeu. Como é de praxe na diplomacia, a inesperada mudança de postura foi saudada pelo presidente americano, Joe Biden, que convocou o encontro, e pela comunidade internacional. Mas o ceticismo impera. Primeiro, todos querem ver as mudanças na prática. Só depois disso, mostram-se dispostos a abrir os cofres para compensar o Brasil pelos esforços para a conservação do meio ambiente. Em menos de dois anos e meio de gestão, Bolsonaro conseguiu colocar em xeque a credibilidade que o país construiu em décadas e transformou-se no inimigo número um do planeta em questões climáticas.

Vale ressaltar que a destinação de recursos para países empenhados em reduzir as emissões de gases do efeito estufa, como forma de combater o aquecimento global, preservar as fontes de águas potáveis, a fauna, a flora, enfim, a própria vida na Terra, faz parte de um pacto que teve início com o Protocolo de Kyoto, em 1997, e foi referendado por 195 nações no Acordo de Paris, em 2015. Na cúpula, os signatários do tratado assumiram o compromisso de criar mecanismo de financiamento destinado a compensar os esforços de países em desenvolvimento que estabelecessem metas ambiciosas capazes de reduzir, significativamente, os riscos das alterações climáticas.

Líder mundial do negacionismo climático, Donald Trump retirou os EUA da concertação alinhavada na França. Fiel seguidor do ideário trumpista, Bolsonaro também acendeu o fósforo da insensatez. Agora, as chamas da inconsequência cobram seu preço, pondo em risco todo o legado de boas práticas ambientais que o Brasil ostentava desde que foi anfitrião da Rio-92, o embrião de todas as mudanças, a primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Sucessor de Trump, Biden percebeu cedo a importância que a vaca sagrada ambiental tem no atual contexto das prioridades planetárias e tratou de desviá-la, rapidamente, do caminho do brejo a que o antecessor a encaminhara.

Ainda em 2020, na campanha, Biden irritou Bolsonaro quando, durante debate com o então presidente Trump, disse que, uma vez eleito, iria coordenar movimento mundial para reunir US$ 20 bilhões e destinar à Amazônia, para o Brasil cessar as queimadas. Logo que chegou à Casa Branca, iniciou as tratativas que resultaram na cúpula do clima. Em relação ao Brasil, historicamente um parceiro estratégico dos EUA, preferiu a diplomacia às hostilidades e iniciou negociações com o Planalto para um acordo que pretendia exibir como grande trunfo durante o encontro climático. Até o fim da cúpula, ontem, os dois países não haviam chegado a um entendimento.

No primeiro dia do encontro virtual, diante das pressões de celebridades e ONGs contrárias a um possível entendimento com Bolsonaro, Biden, estrategicamente, saiu de cena antes de o brasileiro discursar. Mas estava atento à mudança de tom, às promessas de antecipar em 10 anos a meta de neutralidade nas emissões de carbono, de acabar com o desmatamento ilegal até 2030, de duplicar o orçamento para os órgãos de fiscalização ambiental e da cobrança de ajuda financeira internacional pelas atividades de conservação. E fez questão de elogiar a mudança de postura, por meio do porta-voz americano para o clima, John Kerry, mas deixando claro que, além do discurso, espera ações práticas do Brasil, antes de abrir os cofres ao país.

Logo depois, Kerry viria a público declarar: “Alguns dos comentários que o presidente Bolsonaro fez hoje me surpreenderam, e isso é muito bom. Vão funcionar essas coisas se forem feitas. A questão é: eles vão cumprir? Como será feito e de que forma?”. Mas sinalizou que as portas para um acordo seguem abertas: “Entendemos que alcançar metas ambiciosas requer recursos, e os EUA estão comprometidos em ser um parceiro do Brasil nesse esforço”. Esse tipo de gesto, o morde e assopra, faz parte do fair play da diplomacia. Afinal, todos sabem o que aconteceu no verão passado em seus países, quando atearam fogo nos próprios parquinhos em busca da prosperidade. Agora, têm contas a prestar diante das novas gerações. Precisam correr para reparar os danos, antes que seja tarde demais para todo o planeta. Biden, sobretudo, se empenha em reconstruir a imagem dos EUA, mais abalada do que nunca depois do negacionista Trump. O Brasil também torce para que o discurso de Bolsonaro não seja mera retórica.


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