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Estado de Minas editorial

Avisos do FMI

Ainda dá tempo de evitar o pior, pois, apesar de tudo, o Brasil tem jeito. Contudo, as soluções para os problemas precisam ser rápidas


08/04/2021 04:00






O alerta vem do Fundo Monetário Internacional (FMI): o mundo terá crescimento desigual neste ano e o ritmo do Produto Interno Bruto (PIB) será ditado pela velocidade da vacinação contra a COVID-19. Apesar de o organismo multilateral ter elevado de 3,6% para 3,7% a estimativa de expansão do Brasil neste ano, o resultado, se confirmado, ficará bem aquém da média mundial, entre 5,5% e 6%. O país está muito atrasado no processo de imunização da população e não há perspectivas de melhora nesse quadro tão cedo. Pelo contrário, especialistas já falam em um possível apagão de vacinas.

Por decisões equivocadas, em especial na área diplomática, o Brasil ficou dependente demais do insumo farmacêutico ativo (IFA) importado da China. Trata-se da matéria-prima fundamental para a produção de imunizantes. Como o país asiático optou por acelerar a vacinação de seus cidadãos, a venda de IFAs a seus parceiros comerciais foi reduzida drasticamente. Ou seja, o Instituto Butantan e a Fiocruz, que necessitam desses insumos, correm o risco de suspender a produção da CoronaVac e da Covishield, essa desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford. Portanto, o que está ruim pode piorar. E os impactos econômicos serão pesados.

O FMI faz outra ressalva em suas projeções. O crescimento do PIB dependerá, ainda, da capacidade dos governos de manterem os programas de ajuda financeira às empresas e à população. Nesse ponto, o Brasil também está atrás quando comparado, sobretudo, às nações mais desenvolvidas. O auxílio emergencial, que teve papel fundamental para evitar uma contração maior da atividade econômica em 2020, demorou quatro meses para ser retomado, mesmo assim, em valores muito abaixo do necessário. Já os recursos para as empresas manterem os empregos e as máquinas funcionando permanecem na promessa. Não por acaso, todas as previsões apontam para o aumento das demissões a partir de agora.

Ante esse quadro desanimador, é urgente que o governo se movimente para evitar um desastre maior do que o vivido atualmente. Basta que os responsáveis pelas políticas econômica e de imunização da população se organizem para tirar as barreiras do caminho, sempre seguindo o que diz a ciência, a despeito de as ações adotadas contrariarem as posições do ocupante do Palácio do Planalto. Independentemente de o país estar à beira do abismo, os donos do dinheiro deram um voto de confiança ao Brasil ao despejar R$ 3,3 bilhões no leilão de 22 aeroportos realizado ontem. Foi um voto de confiança e tanto.

O que não pode é o governo manter a letargia assustadora que transformou o país numa bomba de transmissão do novo coronavírus, que vem matando mais de 3 mil pessoas por dia e permitindo a proliferação de variantes cada vez mais poderosas. Ainda dá tempo de evitar o pior, pois, sim, apesar de tudo, o Brasil tem jeito. Contudo, as soluções para os problemas precisam ser rápidas. Insistir no caminho percorrido até agora será um erro imperdoável, que será pago com o sofrimento de muitas gerações. Já foram derramadas lágrimas demais. 





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