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Estado de Minas

Bolsonaro stalinista

Ao invés do Estado, toda a sociedade e órgãos de classe, sindicatos e corporações deveriam poder comprar e aplicar vacinas como nos EUA e China


31/03/2021 04:00




Sacha Calmon
Advogado, coordenador da especialização em direito tributário da Faculdades Milton Campos, ex-professor titular da UFMG e UFRJ

O presidente se irritou muitíssimo com os prefeitos e governadores que determinaram o fechamento de cidades para evitar, por dias, a retransmissão do coronavírus, para desafogar as enfermarias e hospitais.

Entendi como racionais as medidas. O nosso país estaria muito melhor se, ao invés de ficar em bate-bocas o ano inteiro de 2020, o presidente tivesse comprado vacinas e estimulado a produção nacional, comprado os IFAs das vacinas chinesas. (A Ásia é o continente menos afetado, exceto o Japão, em relação aos países da região, mas muito melhor que os do Ocidente.)
 
 
 
 
 
O IFA é o insumo básico da vacina. A Índia é campeã mundial no envase de medicamentos. Mas tanto a CoronaVac e mais três vacinas chinesas e talvez a vacina da AstraZeneca dependem de insumos chineses.

A moderna Janssen e a Pfizer adotam outra técnica que se mostrou válida, a do antivírus mensageiro, uma espécie de telegrama biológico enviado ao sistema imunológico das pessoas.

Seja lá como for, a nossa situação é crítica e causa apreensão no mundo inteiro. E o culpado maior é o presidente, por ser negacionista ou porque não fez nada de relevante para conter o contágio.

E, o que é pior, incentiva o ajuntamento social no trabalho, nos transportes e até no andar nas ruas. Para ele, os mortos não importam, mas o enfrentamento da insidiosa epidemia altamente contagiante de peito aberto. É o único no mundo a pensar assim para obter a imunidade de rebanho e nem se perguntou se está certo. Falta-lhe na cabeça o parafuso da autocrítica e da prudência, mesmo em situações de vida ou morte, como é o nosso caso, ao nos tornarmos, proporcionalmente, o país mais infectado do mundo (por três variantes do vírus).

E dizer que Collor sofreu impeachment por causa de um carrinho da Fiat (Elba) que lhe teria sido presenteado (e que nem foi provado).

O presidente, ao contrário de Biden, que já vacinou 130 milhões de americanos e diz que vacinará todos até meados de maio, a propiciar a retomada econômica (pois zumbis não trabalham por falta de energia), quer porque quer que o povo trabalhe mesmo esbodegado, para que seu governo se gabe de um PIB não negativo. Com isso, além de egoísta e insensível, é vaidoso e não está nem aí para a saúde do povo. Pitigrilli dizia que o último refúgio dos tiranos é apelar para o nome da pátria.

No momento em que praticamente todo o Brasil tem ocupação de leitos de UTI acima do limite, o presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula, fez uma alerta: a situação grave de colapso iminente vai durar, pelo menos, oito semanas. Em entrevista à rede CNN, ele fez previsão nada otimista: os sistemas de saúde devem continuar operando em sua capacidade máxima e sendo pressionados até maio.

“A tendência é de que isso permaneça, nada aponta que vá diminuir agora. Talvez em meados de maio, se a gente tiver vacinado a população acima de 60 anos até o final de abril, tenha uma redução para 15 mil a 20 mil mortos por mês. Antes disso, é improvável uma diminuição”, prevê o especialista. Carlos Lula diz que espera atitudes do Ministério da Saúde, como a aquisição de equipamentos e medicamentos para intubação. Na quinta-feira, governadores lhe enviaram ofício (ao presidente Jair Bolsonaro) afirmando que os remédios para UTIs estão em falta nos estados. “Já faltam respiradores, monitores, o Brasil já não tem mais bombas de infusão no mercado para vender. Vai faltar medicamento para intubar pacientes. Se não tiver um comitê diário de crise para monitorar isso e o Ministério da Saúde não tomar providências, as próximas semanas serão ainda mais duras”, alerta. Além da falta de insumos e de medicamentos, o Brasil sofre com a ausência de profissionais de saúde para os hospitais. Em Minas Gerais, a Fhemig abriu contratação de médicos, enfermeiros e outros especialistas, mas não preencheu as vagas.

O que V. Exa. vai fazer? A pergunta é vã. Os presidentes dos outros poderes, o Judiciário, o Tribunal de Contas, o Senado e a Câmara dos Deputados, entraram em campo para empurrá-lo.

Agora vai, mesmo capengando, o Guedes só falando, falando, falando...

O estafermo ministro do Exterior, espero, já terá saído quando lerem este artigo, será outro a juntar-se ao guru caipira que mora nos EUA “dando cursos” (não sei para quem).

Mas o pior é que Bolsonaro é mais comunista que Stalin na Rússia, obrigando governadores e prefeitos e o empresariado, que com recursos próprios compram vacinas, a doá-las ao SUS. Isso é ditadura comunista, além de atrasar a vacinação. Empresário vacinar seus funcionários é crime? De onde vem esse igualitarismo?

Ao invés do Estado, toda a sociedade e órgãos de classe, sindicatos e corporações deveriam poder comprar e aplicar vacinas como nos EUA e China.


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