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Estado de Minas

Amigos morrem, lava-jato também


29/03/2021 04:00

Fábio P. Doyle
Jornalista. 
Da Academia Mineira de Letras

Foi um dia muito triste esse 23 de março de 2021. A notícia da perda de dois grandes, imensos, queridos e velhos amigos chegou em dois tempos, uma de cada vez, com intervalo de minutos.

Mal acordado, abro o WhatsApp do meu celular e o primeiro tiro me atinge em cheio. Francisco De Mingo, Chico, Chiquinho, como era chamado carinhosamente pelos seus amigos, partiu sem dizer adeus. O vírus traiçoeiro que veio da China para matar no mundo todo, aqui especialmente, levou meu bom companheiro de mocidade, e de viagens para aquela que não tem retorno.

Francescogian De Mingo nasceu na Itália em 1944. Veio com os pais, criança ainda, para o Brasil, fixando-se em Belo Horizonte. “Sou italiano, mas brasileiro de coração. Amo esta terra”, dizia sempre. Com 13 anos já estava trabalhando na área do turismo, como office boy da Nacional Transportes Aéreos no aeroporto da Pampulha. Por sua dedicação e seriedade, foi transferido para o setor de vendas da empresa, que foi encampada pela Real e pela Varig. Nessa foi promotor de vendas, gerente aos 24 anos, o mais jovem do Brasil, gerente geral para Minas e Espírito Santo.

Em 1990 deu o salto maior, promovido a representante geral da Varig para a costa leste dos EUA, com sede em Los Angeles, Califórnia, onde, com Rachel e filhos, eu o visitei e a Rosália, sua mulher, e seus filhos Gianfrancesco e Mirella.

Voltou ao Brasil em 1994, já aposentado. Trabalhou na Master até criar, com sua família e antigos colaboradores, a Alfatur, no Bairro Ouro Preto, Pampulha, agência de viagens que cresceu e que continua aberta, depois de sete meses fechada por causa da pandemia impiedosa, que o matou depois de quatro dias internado.

A outra perda triste e dolorosa, além de surpreendente, pois colheu um grande e afetuoso amigo, médico e vizinho no Morro do Chapéu, Christiano Fausto Barsante dos Santos, aconteceu no dia 22.

O bom, competente, humano, dr. Christiano, em sua clínica, atendia ricos e pobres, sem cobrar. Só deixou saudades. Sua alegria permanente, sua presença nas reuniões, sua bondade e simpatia, farão falta para todos os que o conheceram. Ele foi levado pela família para o descanso eterno, junto dos seus parentes e antepassados, em Araxá, onde nasceu.

O panorama humano de nossa terra perde, com De Mingo e Barsante, dois marcos expressivos.

NADA MINEIRA Suprema vergonha! Ministra mineira da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, ao mudar seu voto de “Não” para “Sim”, transformou o juiz Sergio Moro de mocinho em bandido, e Lula de bandido em mocinho.

Discutia-se a inventada suspeição de Moro quando conduzia, na Justiça Federal de Curitiba, o processo anticorrupcão (Lava-Jato), que resultou na condenação do corrupto ex-presidente e de muitos de seus seguidores.

A votação havia sido interrompida por pedido de vista do novo ministro Kassio Nunes Marques, quando estava empatada 2 a 2. Dois “Sim”, pela suspeição, dos ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia, e dois “Não”, de Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski.

Ao voltar à pauta, no dia 22, Kassio Nunes leu seu voto pela rejeição da suspeita. Logo, a suspeição estava derrotada. Vitória de Moro e dos homens de bem, derrota de Lula e dos corruptos, com a manutenção dos atos do juiz Moro e confirmação da sentença condenatória.

Aí a surpresa, nem tanto, do recuo da mineira Cármen, que trocou de posição e mudou seu voto como Gilmar Mendes, energúmeno relator, desejava, de “Não”, contra a suspeição, para “Sim”, a favor.

O que era considerado impossível aconteceu. O juiz correto foi condenado, o bandido maior liberado, a Lava-Jato arquivada.

Por mudar seu voto, usando argumentos que disse serem novos, mas todos velhos, já conhecidos, absolvendo Lula e condenando Moro e a Lava-Jato, Cármen Lúcia, nada mineira, está sendo execrada em todo o país. Foi comparada a um produto de baixa qualidade, prefiro não mencioná-lo por compaixão, vendido nos açougues. É o fim!

Agora, o inevitável. Se Moro foi parcial em uma ação, foi em todas as outras. Tudo o que se fez em Curitiba será anulado, todos os corruptos absolvidos, todos os bilhões apreendidos, devolvidos.

É preciso mencionar, estranhando, o modo arrogante e agressivo do relator, já notório em fatos inusitados no tribunal, ao conduzir a votação. Ele tentava impor sua opinião. Chegou a chamar, de forma indireta, o ministro Nunes Marques de “covarde”, e a menosprezar o estado natal de Marques, ao afirmar sobre um absurdo qualquer um “nem no Piauí”. E derramou elogios sobre Cármen Lúcia, que mudou seu voto anterior, o “Não”, para obedecer a, dizem, seu guru, Gilmar.

E uma pergunta: dos três, Gilmar, Cármen e Lewandowski, quais foram nomeados para o STF por Lula e sua turma da esquerda? Todos...

Pois é. Depois protestam contra os que carregam cartazes e faixas com os dizeres “Só fechando”. Além de outras com apelos mais fortes. Não preciso transcrever, são muito conhecidos e repetidos nos últimos meses.


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