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Estado de Minas editorial

Urgências para o Brasil

Sem uma ação firme e coordenada dos governos nas três esferas, o vírus seguirá seu caminho de contaminação e morte


26/03/2021 04:00






Vacinação em massa é a medida para pôr fim ao colapso nos sistemas de saúde em quase todos os estados brasileiros. Se não seguir firme nessa direção, o governo vai alimentar ainda mais a desconfiança de empresários, investidores e consumidores, dificultando a retomada econômica. Confiança é hoje o sentimento mais urgente para que a economia responda, não com uma tímida volta das atividades, mas com a aceleração dos investimentos e a geração de empregos, numa crise que se agrava e nos empurra para um quadro arriscado num futuro próximo.

Os movimentos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário no sentido de mostrarem união no combate à pandemia de COVID-19 no seu momento mais crítico são uma reação ao alerta feito por economistas e empresários de que sem o controle da doença não haverá recuperação da economia. As ações de enfrentamento ao coronavírus seguem de forma descoordenada no país e grandes empresários já manifestam temor de que a reunião dos presidentes dos três poderes tenha sido apenas jogo de cena. Não é mais possível que, depois de mais de 300 mil mortes, políticos pensem em si próprios.

A perda de vidas já seria mais que suficiente para que todas as medidas necessárias para enfrentar a pandemia fossem consenso nas esferas de poder, que muitas vezes gastam energia com discussões inócuas, enquanto os indicadores de confiança na indústria, no comércio e entre os consumidores despencam. São um sinal de que o Brasil terá novamente queda da atividade econômica no primeiro trimestre deste ano. Não há mais tempo. A contenção da doença é para ontem e é essa ação que levará o país a reagir economicamente, como alertam os mais de 1.500 nomes que assinam a carta de empresários e economistas divulgada no início desta semana.

A esse quadro de desconfiança se junta-se o fato de haver mais de 50 milhões de brasileiros desempregados, subutilizados ou em desalento, uma perda de riqueza que pode chegar a R$ 130 bilhões (2% do PIB) e uma inflação que em 12 meses até março chega a 5,52% e estoura o teto da meta fixada para o ano, de 3,75%, com tolerância entre 2,25% e 5,25%, segundo o IPCA-15, prévia da inflação oficial. A escalada de preços, que corrói a renda do trabalho e pressiona o custo das empresas, levará o Banco Central a elevar novamente os juros em, no mínimo 0,75 ponto percentual na próxima reunião do Copom.

O Brasil flerta com uma crise que viveu recentemente e da qual ainda não se recuperou totalmente. Sem uma ação firme e coordenada dos governos nas três esferas, o vírus seguirá seu caminho de contaminação e morte até que as vacinas alcancem pelo menos todos dos grupos de maior risco para a doença. Com atraso na imunização será necessário mais tempo de confinamento e paralisação de atividades econômicas, empurrando o PIB brasileiro para baixo por mais um ano. E como país, vamos empobrecendo... empobrecendo. Mas até quando? 




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