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Vacina eleitoral


06/03/2021 04:00

Márcio Coimbra
Coordenador da pós-graduação em relações institucionais e governamentais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília, cientista político, mestre em ação política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007), ex-diretor da Apex-Brasil, diretor-executivo do Interlegis no Senado Federal

A verdade é que o Brasil está mergulhado na pior crise econômica da sua história. Se a pandemia acabou com qualquer medida de ajuste fiscal do governo, na arena política o Planalto se esforçou pouco até aqui para passar reformas robustas. Isso significa que entramos no terceiro ano de governo em uma situação muito frágil, que pode gerar efeitos preocupantes para Bolsonaro no ano eleitoral.

A economia brasileira não entrou em colapso no ano que passou em razão do auxílio emergencial. Entretanto, os custos deixados nas contas públicas são assustadores. O déficit beira R$ 1 trilhão. Uma fatura que afasta investimentos, gera desequilíbrios fiscais e deixa uma dívida enorme a ser paga no futuro. A retomada da economia, portanto, tornou-se peça fundamental deste jogo.

Fato é que não haverá recuperação econômica sem vacinação em massa. Aqueles países capazes de imunizar sua população mais rapidamente são os mesmos que deixarão o caos gerado na economia para trás em menor espaço de tempo. Se 2020 foi o ano do auxílio emergencial, 2021 precisa ser o ano da vacinação. Do contrário, seguiremos reféns de um ciclo de auxílios que inviabilizarão as contas públicas.

Faltou, entretanto, um plano estratégico para o Brasil, um movimento simples que poderia ajudar a salvar vidas, mas também as contas do governo. Ao optar por tratamentos alternativos e ignorar as vacinas como método eficaz de imunização coletiva, o país ficou para trás. Se hoje faltam vacinas e o governo é pressionado a adotar um novo auxílio, esse é resultado de uma opção equivocada que agora cobra seu preço.

O problema vai além. Se faltam vacinas, faltará também auxílio emergencial nos patamares de 2020. Se no ano que passou foi possível segurar o impacto do tombo econômico, neste ano, com um valor menor, será possível apenas amortecer de leve a queda, pois rumamos novamente para uma situação preocupante. Uma expansão real da atividade econômica somente será atingida com vacinação em massa. Vacinação significa economia retomada.

Todo esse caminho pode afetar o resultado das urnas em 2022. Não somente pelo assustador número de mortos, mas pela profundidade do fosso econômico em que o país estará metido. Bolsonaro irá encarar as urnas praticamente sem qualquer crescimento econômico em quatro anos, com poder de compra e renda da população comprometidos e uma popularidade artificial que somente se manteve turbinada por um auxílio emergencial.

Isso gera enorme incerteza sobre o quadro sucessório. Mesmo apoiado pelo Centrão e impulsionado pelas redes ideológicas bolsonaristas, o caminho eleitoral do capitão tende a ser duro e complicado. O brasileiro vota com o bolso, e a economia certamente não será um ativo que possa ser usado a seu favor.

Estamos diante de uma crise econômica séria que precisa de mais ação e menos discursos. Se Bolsonaro não reorientar seu governo para o caminho certo, com uma agenda definida, as chances em 2022 tornam-se cada vez mais distantes. As próximas eleições não serão definidas pela lacração das redes sociais, mas por seriedade, comprometimento diante da pandemia e melhora real da economia, uma verdadeira vacina eleitoral. Dessa realidade, nenhum postulante ao Planalto conseguirá escapar.


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