Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. ASSINE AGORA >>

Publicidade

Estado de Minas

As escolhas da mulher moderna e a fertilidade


05/03/2021 04:00

Selmo Geber
Professor titular do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG. Membro titular da Academia Mineira de Medicina

Elas estão cada vez mais ativas no mercado de trabalho. Entenderam o quanto a independência financeira pode empoderá-las e estão determinadas a construir uma carreira profissional bem-sucedida. Com isso, deixam de priorizar outros planos, como a maternidade. Reflexo disso é o crescente número de mulheres, no Brasil e no mundo, que decidem se tornar mães a partir dos 35 anos.

A maternidade exige uma dedicação quase integral e exclusiva, especialmente na fase inicial, mas nem todas as mulheres estão dispostas a desacelerar o ritmo no trabalho para exercer a função de mãe. Se por um lado o tal relógio biológico não colabora, já que a partir dos 35 anos a queda acentuada na quantidade e qualidade dos óvulos dificulta a fertilização, por outro, os avanços da medicina reprodutiva representam um alento. As técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV), estão cada vez mais acessíveis e, com acompanhamento profissional e os tratamentos corretos, torna-se perfeitamente possível ser mãe aos 40, ou mesmo depois disso. E a medicina reprodutiva não é apenas para aquelas que desejam postergar a gestação. É, também, um sopro fundamental de esperança para pacientes com câncer, outras enfermidades, ou consideradas inférteis.

Há alguns anos, as mulheres recorriam ao congelamento de óvulos quando estavam beirando os 40 anos, mas é nítida essa transformação cultural. Jovens de 30 e poucos anos estão se submetendo ao congelamento porque estão decididas a se dedicar a outros projetos e, ao mesmo tempo, não querem eliminar, por completo, a oportunidade de, um dia, vivenciar a experiência da maternidade. Sabe-se que, quanto antes os óvulos forem congelados, maiores as chances de uma gravidez bem-sucedida. Hoje, uma mulher de 30 anos sabe exatamente o que quer e, se a gestação não figura nessa lista de prioridades, o congelamento dos óvulos é uma decisão inteligente, além de muito consciente.

E as empresas estão atentas a essa mudança no comportamento feminino. Para atrair e reter funcionários, grandes organizações, como Google, Apple e LinkedIn, incluíram em seus robustos pacotes de benefícios o reembolso para o congelamento de óvulos. Em algumas dessas companhias, as funcionárias recebem reembolso de parte do procedimento; em outras, o reembolso é integral, e compreende, ainda, as esposas dos colaboradores.

Em um mundo em que as mulheres estão cada vez mais participativas e atuantes, a medicina reprodutiva tem oferecido uma ótima alternativa para seguir com seu sonho de maternidade e poder adiá-lo respeitando as novas prioridades da vida. As informações sobre as técnicas disponíveis estão sendo amplamente disseminadas, permitindo que mais pessoas conheçam as vantagens dos procedimentos. De fato, realizar o sonho de ser mãe é uma dádiva, mas respeitar o seu tempo, vontades e desejos, sem ceder às pressões externas e internas, é algo realmente fascinante, que se tornou possível graças ao avanço tecnológico e da ciência.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade