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Os trancos e barrancos da semana


01/03/2021 04:00

Fábio P. Doyle
Da Academia Mineira de Letras
Jornalista
 
x presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, foi muito bom e competente para a recuperação da empresa, dilapidada, roubada nos governos Lula e Dilma. Ele conseguiu recolocar a Petrobras entre as mais lucrativas do mercado acionário. O que foi recebido com aplausos pela opinião pública e com euforia pelos ganhos acionários dos espertos grupos investidores.
 
Depois disso, parece que cansou e dormiu. Esqueceu que o fator dominante para o aumento do lucro nos balanços, além da reorganização interna, era o preço recebido do cidadão comum, relativo a gasolina, óleo diesel, botijão de gás. Aumentou uma, duas, muitas e muitas vezes, sem pensar no que o gasto excessivo causaria no orçamento dos usuários, particulares e empresários.
 
Os investidores, os aplicadores, os jogadores do perde-ganha, mais ganha do que perde, das Bolsas de Valores, apoiaram com entusiasmo o reajuste, que aumentou o seu ganho. E todo o agrupamento petrolífero, produtores, importadores, exportadores, refinarias, revendedores, postos de venda, pois é sobre o preço que pagam que fazem incidir comissões, percentuais e toda sorte de taxas e penduricalhos.
 
O primeiro aumento do preço dos combustíveis foi recebido pela população como necessário para recompor as finanças da maior empresa do país sucateadas pelos petistas. Mas outros se seguiram àquele. Foram recebidos com estranheza, provocando, primeiro, discretas reclamações, evoluindo, com o exagero que tornava o ato de colocar gasolina, diesel, de renovar o estoque de gás de cozinha, com protestos e um drama permanente.
 
Um dos mais sacrificados e mais reativos foi o grupo numeroso dos caminhoneiros. E, em paralisação total há poucos anos, evidenciaram serem capazes de parar o país. Pois espantem-se: comentando o protesto e a nova ameaça de greve por não poderem pagar os novos preços do diesel, disse o Sr. Castello Branco que "a Petrobras não tem nada com o problema, ele é dos caminhoneiros".
 
Como, por extensão óbvia, é dos que têm carros, ônibus, motos e das donas de casa na compra dos botijões do gás de cozinha. E o mais grave, e que mais irritou o presidente Jair Bolsonaro, os aumentos, os reajustes de preços eram feitos sem seu conhecimento nem do ministro da Economia. Daí, senhores do conselho, a demissão de Castello Branco e a nomeação, para seu lugar, do general e engenheiro Silva e Luna, famoso pelo rigor e competência com que administrou a usina hidrelétrica Itaipu Binacional. Cortando despesas inúteis e salários desproporcionais. Dizem que diretores da Petrobras ganham mais de R$ 400 mil por mês, R$ 4.800.000,00, quatro milhões e oitocentos mil reais por ano. Para comparar: o presidente Bolsonaro recebe pouco mais de R$ 30 mil por mês, R$ 360.000,00 por ano!
 
Se for verdade, difícil de acreditar, um diretor da Petrobras ganha mais por mês do que o presidente da República por ano! Será fake?
O afastamento de Castello Branco da presidência da Petrobras por decisão de Bolsonaro, por aumentar preço dos combustíveis supostamente acima do que seria necessário, sem conversar e comunicar a decisão ao presidente e ao ministro da área, provocou reação contrária de investidores e de tradicionais inimigos do governo federal. As ações da empresa sofreram forte queda de cotação nas bolsas, em torno de 20 a 30 por cento.
 
A baixa gerou manchetes e noticiários sensacionalistas da imprensa. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, advertiu ao ser entrevistado: "A queda da Bolsa não passa de uma bolha histérica". E Bolsonaro lembrou que altas e quedas fazem parte da rotina das bolsas de valores. "Logo haverá uma alta das ações, recuperando o valor perdido". Alta que aconteceu no dia seguinte ao da sua declaração, e que continua demonstrando confiança dos investidores no novo presidente, Luna e Silva, e no futuro da empresa.

IRRESPONSABILIDADE

Para encerrar com o assunto que domina o noticiário, juntamente com o da Petrobras e da prisão do deputado Daniel Silveira: o da chuva, das enchentes, dos desabamentos, o último doloroso, trágico na simpática cidade de Santa Maria de Itabira, terra da preocupada Maria Aparecida, a Cida. O que aconteceu lá e em outras cidades, atingidas pelos temporais de um verão estranho e frio, poderia ter sido evitado ou minimizado se não preponderasse a falta de bom senso, de responsabilidade, de previsibilidade dos que constroem seus lares, suas lojas, em terrenos baixos, junto de cursos d'água, ou em encostas de montanhas, sempre sujeitas a deslizamentos que soterram tudo o que encontra pela frente, casas, barracos, matando seus moradores, famílias inteiras.
 
A irresponsabilidade não é apenas dos que constroem em locais perigosos. É, também, das prefeituras municipais, a nossa inclusive, que ou aprovam projetos insanos, ou não fiscalizam e mandam demolir obras clandestinas que podem causar danos ou vítimas. Demolir o que está errado deve ser a palavra de ordem final, definitiva, do poder público atento e correto. Antes que novas tragédias aconteçam. Como a de Santa Maria de Itabira, ainda na memória, como exemplo e lição. 


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