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Quem defende o idoso?

Uai, doutor, quem vai morrer, mais provavelmente, se pegar a COVID-19: sou eu - a velha - ou o jovem profissional de saúde que me atende?


23/02/2021 04:00 - atualizado 22/02/2021 21:16

Sandra Starling
Advogada e mestre em ciência política pela UFMG, ex-deputada
 
Estado de Minas – ainda bem! – brinda-nos com uma matéria sobre as prioridades na vacinação e levanta a situação dos idosos, passados para trás até mesmo pela recepcionista de uma clínica de saúde, porque assim quis o Ministério da Saúde (???) do Brasil e assim estão fazendo aqui e acolá os estados e municípios destas Minas Gerais.
 
Embora eu própria, aos 77 anos, prefira ser chamada de “velha”, confesso que ando me perguntando se essa escala de prioridades de vacinação, que não contempla primeiro os idosos, não estaria sendo apenas uma brincadeira, digamos, uma (justa) homenagem ao falecido (por COVID) Genival Lacerda, autor do delicioso forró “Mate o velho”!… 
 
Explico logo: assim que o susto inicial com a notícia de um maldito vírus circulando por todo lugar, passada também a fase de adequação do próprio Protocolo da OMS para o enfrentamento do surto de coronavírus como emergência de saúde pública de importância internacional, em 30/1/2020 (só em 11 de março a OMS considera a COVID-19 como “pandemia”) passou o Brasil, pela Lei 13.979/20, a adotar também aqui as primeiras medidas para a contenção da propagação do vírus. E, em seguida, pesquisadores, cientistas e médicos apontaram também que os idosos viriam a ser as principais vítimas do vírus, devido à decadência do sistema imunológico, por mera decorrência do tempo de vida. Em outras palavras: os mais velhos seriam os que mais perderiam a vida se acometidos dessa nova espécie de síndrome respiratória aguda grave. 
 
Os dados relativos aos que teriam ido a óbito confirmaram, rapidamente, essa suspeita inicial. Só para oferecer alguns dados: em dezembro de 2020, 74% do total de mortos no Brasil eram constituídos por maiores de 60 anos (Boletim Epidemiológico  41, do Ministério da Saúde); na Itália, 95,4%, segundo a divisão de estatística da ONU. De acordo com a mesma fonte, no Reino Unido, 93,7%; 96,4% na Suécia, e assim por diante, mostrando claramente que quanto mais os idosos predominam na população total de um dado país, tanto maior será o número de vítimas de morte entre eles. 
 
Por mais que eu tenha pesquisado nas fontes a mim acessíveis, não encontrei dado algum sobre o percentual de trabalhadores da saúde mortos por COVID-19 no Brasil, ou em qualquer outro país do mundo para me permitir comparar esses dados com os dados sobre a minha “categoria”, os velhos… Embora, é claro, os profissionais da saúde, vale dizer, os diretamente envolvidos nos cuidados com infectados por covid-19 – supõe-se – possam constituir um percentual realmente impactante. 
Encontrei, entretanto, um dado muito relevante sobre a “carga viral” – certamente muito maior naquele que lida diretamente com o vírus do que em qualquer outra pessoa. Mas se isso é assim, assim também é a capacidade de transmissão para outra ou outras pessoas. “Quanto mais vírus em mim, maior a probabilidade de eu transmiti-lo para você”, explica a professora Wendy Barkley, do Departamento de Doenças Infecciosas do Imperial College de Londres (fonte BBC News/Brasil – 1º/4/2020).
 
Ora, o Dr. Carlos Starling (seria meu parente?), membro da Sociedade Brasileira de Infectologia e do Comitê de Enfrentamento à Pandemia de BH, declarou neste mesmo jornal, que: “A prioridade de vacinação é para profissionais dentro de hospitais e de pronto-atendimento, porque entram em contato com pacientes com carga viral muito alta”, disse ele. 
Uai, doutor, quem vai morrer, mais provavelmente, se pegar a COVID-19:  sou eu – a velha – ou o jovem profissional de saúde que me atende? A pandemia só se resolve com vacinação em massa e no menor intervalo de tempo possível. Mas, na carência generalizada de vacinas, qual valor ético deve prevalecer?
 
Há ainda um grave problema. A “priorização” dos profissionais de saúde, em sentido amplo, em detrimento dos idosos e outros segmentos de altamente vulneráveis, pode ser inócua e perigosa: frente às mutações pelas quais o vírus vem passando e se ajustando ao seu nobre hospedeiro, o ser humano, já há indícios de que algumas vacinas podem não ser eficazes, ou ter sua eficácia parcial ainda mais reduzida. Vacinados VIPs podem ser reinfectados por novas cepas e continuar a transmitir o vírus a quem lhes cruzar o caminho.
 
Não querendo acreditar que possa haver um amplo consentimento a projetos de eugenia como apregoava Spencer, no século 19, aguardo, ansiosamente, aqui, no jornal, soluções para ajudar todos nós, os vulneráveis, principalmente os idosos!


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