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Estado de Minas editorial

Tempos de esperança

Há um longo caminho a ser percorrido para que a maior parte dos brasileiros possa se dizer protegida contra a COVID-19


19/01/2021 04:00

“Vacinem-se, não tenham medo.” A mensagem, cheia de esperança, partiu da enfermeira Mônica Calazans, a primeira brasileira a receber a vacina contra o novo coronavírus em solo nacional. Depois de 10 meses de expectativa da população e de negacionismo por parte de várias autoridades, finalmente, o tão esperado imunizante começou a ser distribuído pelo país.

Há, no entanto, um longo caminho a ser percorrido para que a maior parte dos brasileiros possa se dizer protegida contra a COVID-19. Além de todo um sistema de logística permitindo que as vacinas cheguem aos pontos mais extremos do Brasil, é preciso garantir o fornecimento de matérias-primas para a produção dos imunizantes.

Infelizmente, o país ainda não detém a tecnologia, que só será repassada pelos laboratórios depois de um período previsto em contrato. Todo o preparo vem da China. O Brasil, ao longo dos anos, não investiu em pesquisas e tornou-se dependente do país asiático, como boa parte do mundo. Corremos o risco de haver um hiato grande entre a aplicação das primeiras doses de imunizantes e a retomada da vacinação. O resultado: mais mortes do que se a oferta de vacinas fosse maior.

Enquanto o país não produz seus próprios insumos, terá de entrar em campo a diplomacia. Neste momento, sabe-se que as relações entre o Brasil e a China não são as melhores. A despeito de o país asiático ser o nosso maior parceiro comercial vem sendo tratado de forma desrespeitosa. As encomendas brasileiras estão travadas nos portos chineses.

Para se ter uma ideia de como uma boa diplomacia é importante, mesmo com as relações amistosas entre o governo brasileiro e a Índia, até agora não há perspectiva de aquela nação enviar para cá os 2 milhões de doses de imunizantes comprados pela Fiocruz. A prioridade, segundo o governo indiano, é vacinar a população daquele país.

Nesse contexto, multiplicam-se os desafios do Ministério da Saúde, que enfrenta sérios problemas para organizar a distribuição das poucas vacinas que o país recebeu. Apesar de mais de 50 nações já estarem imunizando seus habitantes desde dezembro passado, não se pensou em um programa estratégico para fazer os medicamentos chegarem à população. Ficou-se na promessa do dia D e da hora H.

O problema é que o vírus, que já matou 210 mil brasileiros, não dá trégua. Está cada vez mais feroz, como se vê em Manaus, onde o sistema de saúde entrou em colapso e pessoas estão morrendo por falta de oxigênio nos hospitais. Quanto mais o país demorar para vacinar pelo menos 70% da população – índice considerado pelos especialistas como marco para a imunização de rebanho –, maior será o risco de o caos se instalar em outras localidades.

Boa notícia, como a chegada das primeiras doses da vacina, sempre deve ser comemorada. Contudo, é preciso ação para que a euforia que se viu quando Mônica Calazans foi imunizada não se transforme em frustração. Muitas vidas foram perdidas, famílias quase inteiras foram dizimadas. Todos clamam pela volta da normalidade. Não há mais tempo a perder.


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