Eudásio Cavalcante Melo
Graduado em filosofia e mestrando em
educação tecnológica/Cefet-MG
qualquer referência que se faça à temática educação, não podemos nos esquecer da sua importância na compreensão da realidade humana ao longo do contexto social na história. A educação é a lupa pela qual enxergamos uma realidade que poucos conseguem perceber.
Estamos vivendo um momento ímpar na história. Um momento de encontro do homem com a sua própria história. Um mergulho necessário e obrigatório nesse grande oceano que é o nosso interior. E como resultado, passamos a conhecer o "alguém" em cada um de nós. Por várias situações e circunstâncias, esse encontro não ocorria.
A história não tem ponto. O dinamismo no qual é construída é acompanhado de vírgulas. Elas caracterizam os diferentes momentos e contextos em que estamos inseridos. E este momento de tamanho sofrimento, pelo qual toda a humanidade está passando, nos traz uma lição importante: é necessário pensar a história como resultado das ações humanas.
A educação proporciona esses encontros. Proporciona descobertas que dão rumos diferentes à história. A escola é um espaço que liga o homem ao mundo do conhecimento, o que se constituiu em verdadeiro acervo cultural. E dentro deste contexto, a escola surge como forma de garantir às gerações futuras esta riqueza imensurável.
Possibilidade de mudanças. Essa foi e sempre será a mola propulsora para a evolução. Como agora. Escutamos hoje, de forma constante, perguntas do tipo: o mundo será diferente após esta pandemia?
Certamente, o mundo continuará o mesmo. Mas se estamos falando de educação, com certeza apostamos em mudanças significativas no comportamento das pessoas como resultado dessa experiência, na qual ficaram evidenciados os traços de desigualdade entre a população mundial.
E a escola, como fica dentro desse contexto pandêmico? Se, ao longo da história, a escola sofreu mudanças necessárias na forma de conduzir suas práticas pedagógicas, neste momento não foi diferente. De forma mais que contundente, ela teve de se reinventar. Ela mudou de endereço.
A escola passou a ocupar um outro espaço, como saída necessária para a sua própria existência: as diferentes plataformas até então pouco conhecidas no ambiente educacional. E qual o dilema instituído diante desse novo normal? A falta de conhecimento. Não é uma situação paradoxal e, ao mesmo tempo, constrangedora? Os profissionais que atuam na linha de frente que o digam.
Facebook, blogs, Snapchat, Twitter, Instagram, Youtube, Tik Tok, Google, Reddit, Linkedin, WhatsApp e tantas outras são as ferramentas que passaram a incorporar as práticas educacionais visando atender às novas demandas de um mundo em constante vir-a-ser. E que, se bem utilizadas, apresentam-se como caminho dentro deste novo normal, em substituição às velhas e obsoletas formas de conduzir os alunos ao conhecimento.
A grande dificuldade evidenciada pela maioria dos professores dentro desse contexto foi serem obrigados a se desfazer do seu amuleto, caduco, necessário e indispensável livro didático, bem como criar afinidades com esses novos instrumentos de trabalho. O que não tem sido uma tarefa de casa muito fácil, obrigados a sair de sua zona de conforto.
A escola "sofre" um novo upgrade. Se os desafios em função das novas demandas da sociedade moderna já lhe tiravam do eixo, muito mais agora. Para ensinar, toda a comunidade escolar está tendo de aprender.
A partir desse tempo de pandemia, novas reflexões sobre a futura educação são proclamadas. Quais possíveis alterações poderiam ocorrer na constituição do DNA da escola como instituição educadora? O uso das tecnologias de forma mais expressiva tornaria a escola mais moderna? Possibilitaria a construção de um novo norte na forma de educar?
A história se encarregará de dar respostas. A sensação que temos é de total insegurança com relação ao que está por vir. Essa situação pandêmica gerou um certo abalo nas estruturas que garantiam o modelo educacional praticado no século 21, mas com raízes em modelos definidos e instituídos no século 18. Um modelo institucional que permitiu que a história passasse e não fosse percebida.
Diante desse diagnóstico, podemos afirmar que o grande desafio que as escolas enfrentam, hoje, é fazer com que os alunos que venham a frequentá-la sejam, o tempo todo, provocados e incitados a ter uma compreensão melhor de si mesmos na sua relação com o mundo. Que, conectados, mantenham um olhar fixo na construção de um cenário de oportunidades iguais para todos num ambiente cada vez mais tecnológico e virtual.
Por fim, devemos pensar e idealizar uma escola que nos leve não a preocupações do que os outros estão pensando de nós, mas, sim, do que podemos fazer para ser melhores.
Façamos a nossa parte como geradores e promotores de esperança, alicerçada em rocha firme, a educação em construção, em vir-a-ser.