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Academia Mineira de Letras: 111 anos


25/12/2020 04:00


Rogério Faria Tavares
Jornalista, doutor em literatura, presidente da Academia Mineira de Letras

 Fundada no Natal de 1909, em Juiz de Fora, a Academia Mineira de Letras (AML) celebra mais um aniversário em plena forma. Fiel ao sonho de seus idealizadores, ela prossegue, altiva e determinada, em sua missão de promover a literatura e a língua portuguesa. Guardiã da memória intelectual do estado, por seus quadros passaram alguns dos nomes mais emblemáticos de nossa história, como Abgar Renault, Afonso Arinos de Melo Franco, Bartolomeu Campos de Queiros, Cyro dos Anjos, Emílio Moura, Henriqueta Lisboa e Hilton Rocha, além de estadistas como Juscelino Kubitschek, Oscar Dias Correa, Pedro Aleixo e Tancredo Neves. Atenta ao fenômeno literário tal como ele se manifesta nos dias de hoje, nos últimos anos ela abriu suas portas a manifestações fundamentais para a compreensão da literatura contemporânea, como a chamada literatura marginal e a literatura indígena.
 
Se a pandemia levou a entidade a suspender a sua intensa programação presencial, no Auditório Vivaldi Moreira, na sede da Rua da Bahia, em Belo Horizonte, a migração de suas atividades para a internet abriu um mundo de novas possibilidades. Em março, o número de seguidores do canal exclusivo da entidade no YouTube era inferior a 200. Hoje, ele se aproxima dos 2 mil. Toda semana, desde o começo do isolamento social, postamos uma conferência inédita na rede, sempre sobre tema de interesse cultural. E o público, ávido por conteúdos de qualidade, prestigia. Assim, promovemos palestras sobre Afonso Arinos Filho, Carolina Maria de Jesus, Chico Buarque, Clarice Lispector, Elvira Vigna, Helena Morley, João Cabral de Melo Neto, João Camilo de Oliveira Torres, e tantos outros.
 
Outra plataforma virtual que ganhou força foi a “AML cursos”, por meio da qual oferecemos formações de alto padrão. Entre 13 de agosto e 26 de novembro, o acadêmico Jacyntho Lins Brandão ministrou a série de aulas sobre “Mitologia comparada: as origens do mundo e da humanidade nos mitos gregos e médio-orientais”, atraindo numerosa audiência. De 5 de outubro a 24 de novembro, o professor Ivan Capdeville conduziu “Retórica e literatura: aprimorando sua escrita a partir dos clássicos”, igualmente seduzindo público expressivo. Entre 20 de outubro e 21 de novembro, realizamos três oficinas gratuitas, também a distância: “Ensinando poesia com tipografia”, com Ana Paula Dacota; “Utopias e distopias”, com Sabrina Gomes, e “Como criar um podcast utilizando softwares gratuitos”, com Thomaz Maioline, com impressionante repercussão e mais de 300 alunos.
 
No campo das publicações, em parceria com a Autêntica Editora, a Academia lançou 20 contos sobre a pandemia de 2020, livro em que reuniu duas dezenas de ficcionistas de primeira linha, todos escrevendo, ‘a quente’, sobre a peste que se abateu sobre o planeta neste ano tão estranho. Democrático, o grupo de escritores convidados incluiu desde os veteranos Frei Betto, Ivan Angelo, Luís Giffoni e Olavo Romano até talentosos representantes das novas gerações, como Carlos de Brito e Melo, Cris Guerra, Jacques Fux e Paula Pimenta. Bem recebido pelos leitores e pela crítica especializada, o volume é uma contribuição da AML para o entendimento do presente e, ainda, para a reflexão dos pesquisadores que, no futuro, se interessarem em saber como os contistas de nosso tempo fabularam sobre tema tão complexo.
 
A revista da agremiação, criada em 1922, quando o presidente da Casa de Alphonsus de Guimaraens era o poeta parnasiano Mário de Lima, irmão de nosso presidente de honra, Augusto de Lima, ganhou o seu número 79, com versão digital integralmente disponível em nosso site a partir de hoje, dia 25. Com capa assinada pelo acadêmico Carlos Bracher, o texto de sua ‘orelha’ é de autoria de Letícia Malard, professora emérita da UFMG, e a apresentação é do operoso e competente deputado Agostinho Patrus, presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, cujo apoio foi fundamental para o sucesso do empreendimento. Composto por 60 textos, o periódico traz ensaios de renomados especialistas sobre a trajetória de personalidades como Alphonsus de Guimaraens Filho, Antenor Pimenta, Benito Barreto, Fábio Lucas, Francisco Lins, Heli Menegale, João Etienne Filho, Orlando Vaz, Rui Mourão, entre outros, além dos discursos de recepção e posse de acadêmicos como Caio Boschi e Wander Melo Miranda. A versão impressa da revista ficou lindíssima e será lançada quando o vírus permitir.
 
Mesmo ciente de que o primeiro semestre de 2021 ainda será bastante difícil, a Academia já prepara uma coleção de iniciativas em benefício da cultura e da educação, como manda o seu estatuto. Grata aos seus patrocinadores, parceiros e colaboradores, ela renova, aos 111 anos, a fé nas letras e nas artes como eficientes portais para um mundo melhor, mais bonito. E mais civilizado...


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