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Falsos investimentos preocupam o mercado

É indicado que o investidor pesquise sempre o histórico de quem está oferecendo a oportunidade de investimento


03/12/2020 04:00

Marcelo Ruiz
Sócio-fundador e CFO da TradeMachine, fintech que disponibiliza relatórios e investimentos automatizados com base em inteligência artificial 


Éfato que investimento tem sido um assunto cada vez mais discutido pelos brasileiros. Há uma década o que era restrito a uma pequena classe de pessoas, hoje é assunto comum em qualquer roda de amigos ou familiares. O que você faz para investir é uma pergunta cada vez mais recorrente. Apesar de ser ainda um país cheio de desigualdades sociais, econômicas e com uma grande porção da população em zona de miséria ou pobreza, atualmente o número de brasileiros com poder de poupança e com capital para investir tem aumentado de uma forma constante e sólida.

Nos primeiros oito anos da última década, acompanhamos um movimento intenso nos investimentos em renda fixa. As corretoras de valores cresceram muito e o cliente que era assistido pelo gerente de banco e colocava o seu dinheiro no PIC ou poupança passou a investir nos melhores CDBs, Tesouro Direto e fundos de investimentos, que remuneram muito acima dos tradicionais produtos bancários. Certamente, o cenário econômico colaborou bastante. A taxa Selic acima de 14% colocava um belo rendimento anual na carteira de investidores, mesmo em títulos sem risco, com Fundo Garantidor por trás e todas outras garantias de capitais necessárias. Era simples: para ter retorno não havia risco proporcional atrelado.

Ocorre que nos últimos dois anos a coisa mudou totalmente de figura. A Selic caiu drasticamente, até alcançar a casa de 2% ao ano e firmar o pé nesse patamar. Hoje, o investidor que não toma risco fica sem muitas alternativas para ter o seu capital bem remunerado. Nos CDBs, TD, Fundos de Renda Fixa contam com uma remuneração de aproximadamente 3% ao ano. Já no espectro moderado, adicionando produtos de crédito e fundos multimercados, e algumas operações de renda variável, é possível buscar rendimento entre 6% e 10% ao ano.

No entanto, muitas pessoas querem ainda mais - pelo menos ter uma parcela do capital melhor remunerado. E aí que encontramos um grande fluxo de pessoas migrando para os investimentos em renda variável. É importante ressaltar que esse movimento não deixa de ser positivo para o Brasil; porém, é preciso ter calma e conhecimento para realizar investimentos na Bolsa.

Atualmente, o assunto investimento em renda variável vem sendo cada vez mais difundido pela atuação de diversos influenciadores digitais. De pessoas físicas que mostram formas, muitas vezes milagrosas (e falsas), de enriquecer na Bolsa – e veja, sempre de maneira muito simples.

Isso tem sido corriqueiro. O influenciador se tornou o novo guru de investimentos. A garota com pouco mais de 20 anos de idade que transformou R$ 10 mil em mais de R$ 1 milhão. A ex-influenciadora fitness que nasceu para fazer trades. Mais recentemente uma notícia horrível veio à tona: "Influencer é acusado por investidores de perder R$ 30 milhões em operação na Bolsa". É aquela velha história: promessa de altos ganhos por meio de uma fórmula mágica. Nisso, mais um grupo grande de investidores provavelmente irá perder o dinheiro em uma operação fraudulenta. Existem vários elementos que precisamos destacar. Observe que o influenciador não é um profissional habilitado. É um trader que opera na pessoa física para outras pessoas físicas. Criou instrumentos estranhos ao mercado financeiro para captação de recursos. Aceitava depósito de cliente na própria conta corrente. Não tinha credenciamento vinculado. Enfim, o caso mostra várias estranhezas quando lido por investidores mais experientes. 

O fato é que novos investidores que entram agora no mercado, com a ganância de ter um rendimento espetacular, e escutam um discurso bem narrado e um bom trabalho de marketing pessoal, são pegos pela emoção. São enganados e deixam se enganar, pois existem evidências de um processo estranho, fora do habitual.

Isso não chega a ser uma novidade. Há cerca de três anos vários influenciadores e empresas não idôneas lançaram diversas soluções de robôs binários, pirâmides de Forex e também pirâmides de criptomoedas. Diversos investidores caíram nessas promessas de rendimentos milagrosos. Esses players "quebraram", ficaram com o dinheiro e sumiram do mapa. Corromperam o uso de uma tecnologia que hoje ajuda muitos brasileiros em seus investimentos (automações), se aproveitando da boa-fé e desconhecimento de parte de investidores.

Existem bons influenciadores, é claro, fazendo um bom trabalho educacional, com geração de conteúdo rico e boas indicações de produtos. Mostram o modo e a metodologia pela qual atingem sucesso. Mas fica o alerta: não são raros os casos dos que usam a exposição de má-fé ou maneira descomprometida.

Por isso é indicado que o investidor pesquise sempre o histórico de quem está oferecendo a oportunidade de investimento. Vá além da rede social. Cheque se é um investimento ou profissional chancelado pela Anbima, Apimec ou Ancord. Observe se o investimento ou conta irá ficar em sua própria titularidade. Ou seja, tome conta de seus investimentos como toma dos seus bens. Vejam produtos e estruturas de investimentos que estão nascendo nas fintechs, que buscam facilitar o modo comum de se investir, e/ou das grandes instituições, para verificar a regularidade da operação.

Caso continue com dúvida, pergunte para um assessor de investimento credenciado a uma corretora se esse influenciador realmente traz uma oportunidade de investimento séria e benéfica. Certamente, esse é o profissional mais indicado para lhe auxiliar nesse processo.


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