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Conselhos, retóricas e mentiras


30/11/2020 04:00

Gilson E. Fonseca
Sócio e diretor da Soluções em Engenharia Geotécnica Ltda. (Soegeo)

A chamada sabedoria popular tem criado ao longo do tempo provérbios e frases de grande percepção e efeito. Dentre muitos, acho muito interessante "faça o que eu falo e não o que eu faço". O que motivou o povo a criá-la, certamente, são as distâncias entre as palavras e as atitudes das pessoas em todas as épocas da história humana. Há 2.000 anos, escritores satíricos já faziam julgamento de tal comportamento. Horácio, crítico severo aos costumes, disse: "As montanhas estão em trabalho de parto, vai nascer um rato ridículo". Esôpo, na fábula "O sol e as rãs", quando o rei, que dava toda sorte de maus exemplos, anunciou que ia se casar, metaforicamente, imaginou o casamento do sol com a lua e as rãs pedindo aos deuses para não permitir esse acontecimento, pois o sol sozinho as queimava muito, tendo "filhos" seria insuportável.

Essa faceta ou desvio de caráter, é apontada por Fritjof Capra, no seu livro Sabedoria incomum, como um dos quatro fatores que levam os médicos americanos a terem menos saúde. A pesquisa indica: falta de horário regular para alimentação e sono; estresse pelo risco do insucesso médico e do drama dos pacientes; ambiente insalubre nos postos de saúde e hospitais; e, finalmente, fazem diferente daquilo que aconselham. Quem nunca ouviu de médicos que você deve fazer caminhadas todo dia, evitar comidas gordurosas, não beber bebidas alcoólicas, não fumar, e eles não conseguem seguir seus próprios conselhos? No antigo ginásio eu tinha um professor médico que, além de fumar exageradamente e não se exercitar, chegou ao ponto no início de uma aula, pela manhã, avisar aos alunos que havia operado um acidentado e que não dormira. Deu um exercício longo e dormiu apoiado na mesa sem nenhum enrubescimento. E o exemplo para os adolescentes?!

Mas nesse campeonato, a classe campeã, sem dúvida, é a dos políticos, o que é lamentável porque mais prejuízo causa ao povo. Quando postulantes a cargos públicos fazem suas "promessas" é impressionante como estão distantes da palavra cândido, que significa puro e deu origem ao vocábulo candidato. Com a diversidade de igrejas atualmente, alguns representantes delas também entram nessa triste disputa e, o que é pior, lesam os pobres diretamente ao tirar-lhes dinheiro que eles mal têm para a sobrevivência.

No lado familiar, pais com comportamentos contraditórios às exigências que fazem; prejudicam muito a formação e equilíbrio emocional dos seus filhos; causam danos muitas vezes irreparáveis. As palavras não podem ser ditas desassociadas das ações. O pensador chinês Chuang Tsé disse: "As palavras são utilizadas para expressar as idéias, mas quando o homem domina as palavras esquece as idéias".

No século 21, sobretudo no Brasil, o assunto ficou preocupante com a degeneração dos bons costumes e práticas morais. É uma pena que os mais novos, com os valores transcendentes tão arranhados e até mesmo distorcidos, não tenham presenciado negócios feitos apenas com a garantia da palavra, com o "fio do bigode". A palavra empenhada precisa ter o mesmo valor da honra, de um documento passado em cartório. Vale a pena relembrar o poeta Camões, que já chamava a atenção sobre o exemplo: "O fraco rei, faz fraca a forte gente".


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