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Rodovias matam. Cadê os trens, FHC?


30/11/2020 04:00 - atualizado 30/11/2020 00:02

Fábio P. Doyle
Da Academia Mineira de Letras.
Jornalista

Caminhão bate em ônibus que levava 49 operários para o trabalho em São Paulo. Querenta morreram no local. Carretas, caminhões são o grandes assassinos das estradas. Grandes, pesados, sempre em velocidade incompatível, não conseguem parar diante de um obstáculo ou numa curva mal feita, mesmo acionando os freios. Os motoristas e as empresas nunca são condenados pela Justiça. Alegam em todos os casos, "falhas mecânicas"... O julgador, despreparado, ignorante em tecnologia motorizada, aceita a explicação e fica tudo na mesma, prejuízos não indenizados, mortos enterrados.

O mais grave e lamentável: as pesadíssimas cargas deveriam ser transportadas por via ferroviária como antigamente. Ou via fluvial, de que o Brasil é carente. Os trens, como ainda são chamados, não existem mais. Locomotivas e os vagões que levavam passageiros e cargas foram abandonados em pátios ferroviários, onde enferrujam e apodrecem.

A pá de cal no sistema que funciona na Europa, no Japão, nos Estados Unidos, indispensável em países de grandes extensões como o nosso, foi jogada de forma irresponsável pelo desastrado Fernando Henrique Cardoso, quando, no exercício danoso da Presidência da Republica, houve por bem, corrijo, por mal, desativar, acabar, extinguir a Rede Ferroviária Federal. De 1999 a 2002, ele concretizou a extinção da RFF, desativando seus 22 mil quilômetros de linhas férreas, de trilhos, de estações, de história de 40 anos de bons serviços ao país, à população, à economia e à indústria.

FHC entendeu, burramente, que rodovias seriam a melhor solução para o transporte, sabe-se lá porquê. Esqueceu o custo do combustível, dos pneus, das carretas e caminhões, dos motoristas e seus ajudantes, do asfalto, do gasto com conservação e reparação. E o custo maior, provocado e agravado pelos engarrafamentos, pela lentidão nos trajetos, pelos acidentes, pelos feridos, pelos mortos, como os 49 desta semana.

Covardia Nada justifica a covardia do segurança e do policial que mataram, por asfixia, um homem que estava sendo expulso de um supermercado em Porto Alegre e que dera um soco no segurança. A reação do funcionário agredido pode ser entendida. Ele e o policial deram muitos socos e pontapés no agressor. Mas matá-lo por asfixia foi um excesso brutal que exige punição dos autores do homicídio.

Condenável, igualmente, o comportamento dos que a tudo presenciavam sem intervir para conter os dois assassinos. Omissos, a tudo assistiam sem sequer tentar afastar os agressores e salvar da morte a vítima.

Uma funcionária do supermercado foi além na omissão, na alienação, ouso dizer, na aprovação da violência, postando-se com seu celular junto dos três, para filmar a cena deprimente e revoltante. Dos dois que batiam sem parar, sem dó nem piedade, e do que apanhava, que era espancado e asfixiado covardemente até morrer. Fotografou, filmou, como se tratasse de um espetáculo teatral, ou de uma brincadeira sem consequências. Foi ela que testemunhou mais de perto o assassinato. E nada fez para evitar o final trágico. Pelo que deve ser punida pela Justiça e pela empresa que a empregou. Segundo foi noticiado, a moça irresponsável e insensível já teria sido demitida.

A vítima, o que morreu, tinha fama de violento. Era um homem forte, com folha corrida policial registrando outras ocorrências do mesmo gênero. Inclusive, pelo que foi apurado, com queixas assinadas por sua mulher, por agressões domésticas. Mas nada pode justificar o excesso de socos e pontapés numa briga em que estava em desvantagem, dois fortalhões contra um, muito menos a asfixia de que foi vítima, covarde, revoltante, repito.

Finalmente, o problema racial, levantado pela imprensa, como causa da agressão e morte. O que apanhou e foi asfixiado pelo policial e pelo segurança era afro-descedente. Se fosse branco ou asiático, teria sido diferente a reação do policial e do segurança, depois de levar um soco violento na cara? Pensem e respondam com isenção.

Dias depois do lamentável episódio relatado, um assaltante armado com um punhal, agindo dentro de um shopping em São Paulo, foi interceptado pelo segurança. Entraram em luta corporal. Neste caso, os que estavam perto não se omitiram, conseguindo separar os dois. Afro-descedentes, ambos. Com receio de criar problemas raciais, os que conseguiram salvar o segurança deixaram o ladrão fugir. Foi melhor assim?

Grupos ditos defensores de "direitos humanos" e a mídia em busca de assuntos explosivos atribuíram o primeiro episódio, o da asfixia, a preconceitos raciais. Manchetes, artigos, editoriais repetiram, e continuam a repetir, a interpretação apressada e equivocada. Incentivando manifestações de rua, invasão e depredação do supermercado.

O que parece ser uma vontade de copiar, imitar, o que ocorreu recentemente nos Estados Unidos. Cópia e imitação de mau gosto.

Certamente, o que aconteceu no estacionamento do supermercado, a agressão covarde, a morte por asfixia de um ser humano, não importa se com defeitos, se com manchas no comportamento, não pode deixar de ser punida na forma e nos termos da legislação penal. O crime cometido, um assassinato, não pode ficar impune. É o que todos esperam. Para que sirva de exemplo.


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