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Estado de Minas

Aviação após a COVID-19

É inegável que um dos setores mais afetados pela pandemia da COVID-19 é a indústria aeronáutica


26/10/2020 04:00

Cristina Quintero
Chefe de Subscrição Aviação e Espaço/
Unidade de Riscos Globais Mapre
 
A estimativa é que em 2020 a redução do tráfego de passageiros será de 66% em relação ao ano anterior. Ne- nhuma das crises globais já ocorridas havia tido esse impacto. Mas era impossí- vel prever uma situação produzida pela pandemia da COVID-19. Atualmente, a Iata, mesmo com suas estimativas mais otimistas, não prevê uma recuperação no tráfego aéreo no período de 2019 até 2024.
 
As companhias aéreas comerciais tiveram que se reinventar para manter suas operações economicamente viáveis e, em vez de transportar passageiros, começaram a transportar cargas ou voos de repatriação e, mesmo assim, o impacto em suas operações foi enorme. Aos poucos, as    operações comerciais começam a se restabelecer, mas as quarentenas e restrições impostas por muitos países deixam os usuários muito mais cautelosos na hora de escolher um voo, e boa parte da população tem receio de voltar a viajar por medo do contágio durante o voo. Adicionalmente, as viagens a trabalho, um dos nichos mais rentáveis para as companhias aéreas, caiu drasticamente, já que esse tipo de usuário decidiu viajar somente para o imprescindível e adicionou mais videoconferências em suas reuniões.
 
E essa redução, inclusive a finalização temporária de operações, é um efeito dominó para o resto da indústria: aeroportos, prestadores de serviços aeroportuários, entre outros, tiveram que reduzir suas atividades drasticamente. As companhias aéreas tiveram que paralisar a fabricação de novos aviões, o que afetou os fabricantes e suas indústrias auxiliares, que se viram forçadas a reduzir sua produção.
 
Felizmente, em termos gerais, o segmento de aviação teve um impacto menor na pandemia, e muitas de suas operações, por sua natureza de serviço público, puderam continuar funcionando com normalidade relativa durante o período de hibernação global. Estamos nos referindo a frotas governamentais, polícia, extinção de incêndios, ambulâncias aéreas, voos executivos, fumigação etc., o que forneceu um pouco de          oxigênio à indústria.
 
No final de 2018, começou-se a vislumbrar um endurecimento do mercado de seguros da aviação, que havia chegado a mínimos históricos com relação ao nível mundial de ingresso de matéria-prima e que o tornava insustentável, o que levou muitas companhias de seguros a restringir sua capacidade ou, inclusive, forçá-las a deixar de         subscrever esse segmento.
 
Durante 2019 e início de 2020, manteve-se a tendência ao aumento nas taxas em nível global, apesar de que ninguém podia prever o que aconteceria em 2020 com a pandemia da COVID-19. Por enquanto, mesmo que a tendência de aumento das taxas seja mantida, com a queda nas exposições como consequência da redução de passageiros transportados e das decolagens, e de um número maior de aeronaves em terra, os níveis de matéria-prima nas renovações se ajustam. Portanto, a necessidade do mercado por um ingresso maior de matéria-prima se vê postergada.
 
O mercado de seguros de aviação enfrenta também novos desafios derivados da pandemia. Os riscos que haviam tido relevância até hoje, do ponto de vista da companhia de seguros, transformaram-se em um dos principais focos de preocupação. Com o fechamento do espaço aéreo em muitos países e as restrições de locomoção, as aeronaves ficaram estacionadas em terra. Antes de a pandemia ser decretada, os aeroportos do mundo todo tinham espaço suficiente para recepcioná-las, já que a maioria estava voando. Entretanto, neste novo cenário, os aeroportos estão com suas pistas cheias de aeronaves e as companhias aéreas estacionam seus aviões em desertos ou espaços nunca imaginados. Essa acumulação de ativos, uma grande quantidade assegurada reunida no mesmo espaço físico, faz com que a preocupação das companhias de seguro se incremente de forma proporcional por temor a uma grande ameaça produzida por um possível evento da natureza ou até mesmo ação terrorista.
 
Além disso, e derivado dessa situação de congestionamento, houve incidentes que eram me- nos prováveis, porque as aeronaves estacionadas em terra também precisam de manutenção e locomoção na pista. A falta de espaço para realizar essas manobras produziu um número maior de incidentes por colisão entre aeronaves, felizmente, sem consequências para os passageiros.
Da mesma forma que o anterior, se comparamos o ano 2020 com seu predecessor, podemos comprovar que devido à redução da atividade, o número total de eventos de frequência (por      operações de handling, ingestão em motores etc.), tem sido inferior. 
 
Entretanto, o fato de que as frotas mundiais tenham tido muito menos atividade não impediu a ocorrência de eventos de intensidade derivados de acidentes aéreos com perdas de vidas humanas.
As companhias de seguro de aviação devem ser capazes de acompanhar à indústria aero- náutica durante suas diversas realidades e é nessas situações que precisam mostrar flexibilidade e apoio aos assegurados. 

Desde o início desta crise, estivemos ana- lisando todos os casos dessas situações e soli- citações recebidas para p
roporcionar a melhor solução de seguro adaptada à situação atual. 


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