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Milhões de motivos para arregaçar as mangas


24/10/2020 04:00

Ana Maria Diniz
Presidente do Conselho do Instituto Península, uma das fundadoras do Todos Pela Educação e conselheira do Parceiros da Educação

O Brasil tem, segundo o mais recente censo educacional, 47.874.246 estudantes de educação básica. Esse gigantesco número de estudantes me leva a pensar, todos os dias, em como o país tem nas mãos oportunidade única para avançar. É verdade que o coronavírus afetou drasticamente o aprendizado das crianças, principalmente das escolas públicas, colocando alunos e professores em uma situação inesperada. Mas também é verdade que as lamentações precisam cessar: é hora de arregaçar as mangas por essas crianças e adolescentes e impedir que sejam uma "geração perdida".

A expressão "geração perdida", que tem sido propagada por conta de todas as dificuldades que a COVID-19 impôs à educação, me incomoda. Pois essa é a geração que pode mudar a nação. Dependemos dela para formar um país melhor, mais justo e próspero.

Está posta a solução, e não é de hoje: para uma educação de qualidade, é preciso priorizar quem ensina, valorizar o professor. Surpreendentemente, isso também aconteceu durante a pandemia. Neste mês de outubro – mês em que se comemora o Dia dos Professores – do ano que marcou todos nós, é ainda mais relevante lembrar: uma educação de qualidade para todos requer professores bem formados e desenvolvidos em múltiplas dimensões – cognitiva, social, emocional e relacional –, professores que saibam respeitar os diferentes contextos nos quais todos estão inseridos.

Durante os últimos oito meses, desde que a quarentena foi decretada, o Instituto Península realizou uma sequência de pesquisas para acompanhar a situação de professores no Brasil todo. Na primeira onda, em abril, ainda no início da pandemia, 83% dos professores afirmavam que não estavam preparados para o ensino virtual. Porém, esse percentual caiu para 49% no último levantamento, divulgado em setembro, o que mostra que os professores perderam o medo da tecnologia, como profissionais que tiveram de se reinventar, e as escolas públicas e privadas criaram em pouco tempo formas para capacitar os docentes, mesmo a distância. Como consequência, hoje, 94% dos professores enxergam a tecnologia como uma aliada muito importante no processo de aprendizagem dos alunos. Antes, apenas 57% tinham essa percepção. A pandemia evidenciou as dificuldades do ensino a distância, mas ao mesmo tempo deixou claro que a tecnologia é necessária, um caminho sem volta. Os professores sentiram isso empiricamente.

A necessidade impôs a solução. E agora há outra necessidade, a de trabalhar para que os 47 milhões de estudantes tenham a aprendizagem impulsionada – em vez de gastarmos energia procurando culpados pela situação terrível de um ano letivo praticamente perdido. O culpado já está evidente: uma doença que tristemente matou mais de um milhão de pessoas e deixou outras tantas em vulnerabilidade financeira e educacional.

Estamos vivendo um problema sem precedentes. Situações assim exigem soluções inéditas, em grande escala, com a sociedade unida em torno de um ideal.

Definitivamente, mudamos de estágio. O convencimento da sociedade de que educação é coisa séria não é mais um problema. Alunos sentiram falta de seus professores, pais entenderam que ensinar não é para qualquer um e agora valorizam muito mais os professores de seus filhos. A consequência é que a situação de uma profissão que por décadas foi colocada sempre como a última escolha entre os jovens agora começa a ser revertida. Temos de aproveitar esse momento, essa nova consciência da sociedade.

Mesmo antes da pandemia, já havia uma crescente conscientização da sociedade sobre a importância do ensino de qualidade. Agora, a educação passou a ser conversa do cotidiano das pessoas, participando, inclusive, de grupos de aplicativos de mensagens de milhões de brasileiros.

Não há atalhos, é hora de agir e o momento nunca foi tão propício. Juntos, gestores, escolas, educadores, pais e alunos. A sociedade como um todo com um propósito único: atenção concentrada nestes 47.874.246 brasileiros e em seus professores para construir o amanhã de que precisamos e que merecemos.


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