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Pandemia: o ensino público e o privado


25/09/2020 04:00

Luciane Prestes
Professora especialista da área de educação da Escola Superior de Educação do Centro Universitário Internacional Uninter

Desde o início da pandemia, em março, as instituições públicas e privadas brasileiras foram afetadas pelas medidas preventivas estipuladas por prefeitos e governadores, que determinaram o distanciamento social e o fechamento e cancelamento das aulas presenciais para conter a disseminação do novo coronavírus. Esta pandemia demonstra a desigualdade existente entre os sistemas básicos de ensino público e privado, com efeitos no calendário acadêmico e na qualidade do ensino.

Nas escolas particulares, houve uma resposta rápida com a utilização de recursos digitais combinando vídeos gravados e ao vivo, tarefas integrativas e tutores, com os privilégios inerentes à classe e à circunstância. Além disso, uma rápida organização, planejamento e formação dos professores e alunos foi identificada. Fica evidente que a questão econômica, com o pagamento das mensalidades por parte dos pais, e a necessidade de manutenção dessas instituições provocou uma maior organização e influenciou para essa rápida resposta.

Por outro lado, nas escolas públicas, o ensino presencial normalmente já enfrentava dificuldades pela falta de recursos tecnológicos e, nesse momento de pandemia, em muitos municípios foi disponibilizado material didático para que os responsáveis fossem buscar nas escolas e, assim, os alunos pudessem continuar a estudar. Em outros casos, foi disponibilizado o envio de material digital, de orientações genéricas e acompanhamento do livro didático com comunicação por redes sociais e plataformas estaduais. Essas atividades remotas no ensino público tiveram por objetivo estimular intelectualmente o aluno durante o isolamento, sendo essa adesão, em muitos casos, facultativa. Entretanto, muitos estudantes vivem em situação de vulnerabilidade, com dificuldade no acesso à internet e estrutura tecnológica para o ensino remoto, dificultando a continuidade e o estímulo intelectual.

Os pais ou responsáveis, muitas vezes não capacitados, passaram a ser os tutores em casa no auxílio desses alunos que não têm outra alternativa sem professores para ensiná-los. As autoridades competentes reforçam a necessidade do distanciamento social, naturalmente, mas ao mesmo tempo não têm uma proposta de política pública que resguarde o direito e acesso ao sistema educacional às classes menos favorecidas. A constância à educação depende de esse estudante ter acesso às tecnologias digitais cujo acesso é essencial para o exercício da cidadania, conforme disposto no artigo 7º da Lei 12.965/2014.

A pandemia pegou o mundo todo de surpresa, mas em outros países o olhar para o sistema educacional é totalmente diferente. As instituições apresentaram mecanismos de respostas, as escolas privadas apresentaram um sistema mais eficiente e rápido em decorrência das necessidades de sobrevivência e potencial de organização. A crise está aí e seria uma oportunidade de transformar a educação com o aproveitamento do aprendizado além da sala de aula, com novas formas de ensino. Cabe aos órgãos públicos a adequação e organização frente a esta nova realidade e tudo o que ela representa.


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