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Estado de Minas

Pais, acolham seus filhos adolescentes


31/07/2020 04:00

Cristina Thomaz
Jornalista e psicanalista

Quando começou a pandemia da COVID-19, o isolamento social foi a principal medida tomada pelas autoridades governamentais e da saúde para evitar o contágio em massa - que poderia colapsar o sistema de saúde.

Estávamos em meados de março. Muitos de nós não imaginavam as consequências desse isolamento. E, principalmente, a duração. Lá se vão mais de quatro meses...

Vamos voltar os olhos para os nossos adolescentes?

Imagine que, de um dia para o outro, por causa de uma doença que nem conhecemos direito, eles não puderam mais ir à escola. Perderam o convívio diário com os amigos num espaço que era só deles: na escola, não tem pai e mãe. Lá, se vivem outras histórias, tem muito aprendizado e descobertas. Sim, eles reclamam das atividades, das provas, mas... como tudo isso faz falta!

Os adolescentes têm saudades dos amigos, dos professores, das conversas, do esporte. Têm também os amores, as festas e encontros combinados ao longo da semana. "Cadê tudo isso?". "Por que está demorando tanto a voltar?". "Cadê minha vida, aquela rotina à qual eu estava acostumado?".

Agora, a interação social e o aprendizado acontecem intermediados por uma tela. Por mais que os adolescentes conheçam como ninguém este meio tecnológico – e o use, muitas vezes de forma excessiva – a presença, o convívio, o contato têm feito muita falta.

Pais, acreditem, eles estão sofrendo. Uns conseguem verbalizar, reclamar, chorar até... e pedem ajuda. Outros, porém, estão sofrendo sozinhos –  muitas vezes, nem por falta de espaço para se expressar, mas por não conseguirem traduzir uma eventual angústia em palavras. Podem apresentar sintomas depressivos – estão mais quietos em seus quartos, mais calados, sem disposição ou vontade de acompanhar as aulas on-line. Podem estar ansiosos, com dificuldade para dormir e até apresentar sintomas como falta de ar, taquicardia, sudorese, sem que haja uma razão física.

Por isso, cabe aos pais olhar mais para os filhos adolescentes. É de vocês a responsabilidade pela saúde mental dos seus filhos. Mas calma: como mãe, eu não estou aqui para crucificá-los. Todos nós sentimos – de alguma forma – algum baque causado por esta pandemia.

Alguns perderam o emprego. Outros tiveram redução em seus rendimentos. E aqueles que ainda estão com seus negócios fechados? É difícil estar bem com tantas perdas financeiras, a gente sabe...

Têm também os pais que adoeceram ou perderam entes queridos. Têm os que estão paralisados pelo medo. E, acreditem, há muita gente com depressão, crise do pânico ou ansiedade.

Fica difícil, sim, olhar para as necessidades dos filhos se tudo parece estar tão fora de ordem.

Mas, apesar de todo esse contexto tão desafiador, temos os nossos filhos para cuidar. Eles não podem ser esquecidos ou negligenciados. E precisamos estar bem para conduzir nossa família por essa travessia tão sinuosa. É difícil enfrentar tudo isso, mas acreditem: para os nossos adolescentes, é mais difícil ainda. Eles cresceram, é verdade, mas precisam de colo, conversa, acolhimento, carinho e cuidado.

Pais, se eu posso dar algumas dicas, com base em tudo o que estudei e ainda estudo na psicanálise, e também com base no que vivencio em casa, aí vão. A primeira delas é:  se cuidem! Se necessário for, busquem uma ajuda profissional para que a saúde mental de vocês esteja em dia. Com as emoções em equilíbrio, será mais fácil atravessar esse momento e dar o apoio que a família necessita. E o mais importante: não minimize a dor do seu filho. Não ache que é besteira ou "mimimi" quando ele reclama que não está bem ou está triste. Não somos capazes de medir o tamanho do sofrimento de ninguém. Nem dos nossos filhos.


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