Sebastião Alvino Colomarte
Professor e diretor-presidente do Centro de Integração
Empresa-Escola de Minas Gerais
A música, como qualquer arte, acompanha, historicamente, o desenvolvimento da humanidade. Antes mesmo da descoberta do fogo, o ser humano já se comunicava por meio de sinais e seus ritmos. Os registros mostram que nos tempos da colonização no Brasil os jesuítas ensinavam música às crianças e adolescentes. Cientistas já comprovaram que a música contribuiu com o cérebro para formas superiores de raciocínio.
A Lei de diretrizes e Bases da Educação (LDB 4024/1961) trouxe a novidade do ensino da música no Brasil. Mas, após ausência de quase 30 anos nos currículos, com a nova LDB (Lei 9394/1996), o ensino das artes, incluindo música, voltou como componente curricular obrigatório em todos os níveis da educação básica. Na realidade, essa obrigatoriedade somente ocorreu após a promulgação da Lei 11.769/2008, mas existem muitos obstáculos para se implantar aulas de música nas escolas. Há carência de profissionais capacitados, salas adequadas, instrumentos musicais e falta vontade das autoridades, diretores e professores para levar o projeto adiante.
Mas, afinal, para que a música na escola? Essa pergunta é respondida pela pedagoga e mestre em educação musical pela UFMG, Andreia dos Reis Stanislau, que defendeu, em fevereiro deste ano, a tese "A musicalidade na educação". Tive o prazer de acompanhar minha esposa Maria Gilda de Castro Colomarte, que foi professora de alfabetização de Andreia, para assistir a defesa de sua tese de mestrado, que se deteve nos aspectos históricos e geográficos da música no Brasil, sendo que seu foco principal, como exemplo prático, foi o denominado Clube da Esquina, um movimento musical que surgiu no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte nos anos 60 e cujo expoente é o cantor e compositor Milton Nascimento.
Segundo Andréia, a música na escola faz parte da disciplina educação artística, sendo uma alternativa que oferece condições de crianças e jovens de tomar contato prazeroso e efetivo com sua própria musicalidade. Dependendo de como é vivenciada, a prática musical se apresenta como um laboratório privilegiado para o exercício de determinadas qualidades como paciência, gentileza, relativização da competição, escuta de si mesmo e do outro e em toda a sua formação.
Devemos ter ciência de que o papel da música na escola não é de formar músico, mas ser uma ação transformadora e humanizadora. Para tal, é preciso investir na formação musical dos professores e especialistas para que eles tenham consciência e autonomia na elaboração de seus projetos pedagógicos.
No Brasil, Minas Gerais é o único estado que conta com aulas de músicas na rede pública. Especialistas defendem a importância dessa como disciplina curricular, pois auxilia o aluno no seu desenvolvimento psicológico e emocional. A professora e pedagoga Andréia comprovou isso na sua tese, pesquisando e acompanhando uma escola pública, que obteve bons resultados com a prática.
A música alegra, descontrai o ambiente e valoriza o trabalho em equipe. É reconhecida no meio acadêmico como um valioso recurso didático-pedagógico. Nos anos 60, integrei a banda de música do 9º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais como segundo pistonista e, por isso, sei de que é preciso valorizar, e muito, os educadores da área de ensino das artes em geral, mais especialmente da música.