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Estado de Minas editorial

Sinalização fora de hora

No mês passado, foi devastada uma área de 1.034,4 quilômetros quadrados, pouco menor do que o município do Rio de Janeiro


postado em 15/07/2020 04:00

A exoneração da coordenadora-geral de Observação da Terra do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) pelo Ministério da Ciência e Tecnologia só piora a já desgastada imagem do Brasil em relação ao meio ambiente. A servidora concursada Lubia Vinhas era responsável pelo monitoramento do desmatamento na Amazônia, uma dos maiores problemas enfrentados pelo Palácio do Planalto no plano externo. A medida foi tomada justamente quando o Brasil sofre fortes pressões de investidores internacionais e empresários locais para adotar uma política ambiental confiável que realmente combata a destruição das florestas da região amazônica e de outros biomas do país.

O governo informa que a dispensa de Vinhas não tem qualquer ligação com a divulgação do novo recorde nas taxas de desmatamento registradas em junho. No entanto, a sinalização não é nada boa para um governo que quer se aproximar de quem tem recursos para investir mas se preocupa com as questões ambientais. Bom lembrar que, no ano passado, o diretor-geral do Inpe, Ricardo Galvão, foi dispensado por ordem expressa do presidente Jair Bolsonaro em meio à polêmica provocada pela divulgação de dados referentes a queimadas e ao desmatamento na Amazônia, fato que provocou protestos internos e externos, pois foi colocado em dúvida a idoneidade dos dados do instituto reconhecido, internacionalmente, pela seriedade de seu trabalho científico.

No mês passado, foi devastada uma área de 1.034,4 quilômetros quadrados, pouco menor do que o município do Rio de Janeiro, o que alimenta críticas de ambientalistas, investidores estrangeiros e empresários brasileiros comprometidos com práticas sustentáveis em relação ao meio ambiente. Especialistas ressaltam que a recente mudança no Inpe acontece em momento inapropriado. Isso porque o vice-presidente Hamilton Mourão, designado pelo governo como interlocutor de empreendedores nacionais e internacionais – ele preside o Conselho da Amazônia –, tenta construir uma imagem positiva do Brasil.

O receio é que a exoneração da servidora do Inpe possa gerar mais insegurança externa em relação às políticas ambientais do Planalto. E os ruídos de comunicação se ampliem justamente na época em que o período de seca propicia o crescimento das queimadas na Amazônia. Mourão já se reuniu com investidores para mostrar ações governamentais na área, mas as desconfianças persistem. Sobretudo depois de o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, dizer que o ministério iria aproveitar o foco da mídia na pandemia do novo coronavírus "para passar a boiada", numa referência à aprovação de legislação ambiental contrária à preservação da natureza.


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