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Estado de Minas EDITORIAL

Desemprego em elevação

A tragédia foi menos dolorosa graças ao auxílio emergencial de R$ 600


postado em 02/07/2020 04:00

Só quem acredita em Papai Noel poderia esperar bons números para a economia. A pandemia do novo coronavírus pegou o mundo de surpresa. Nenhum país estava preparado para enfrentar a maior crise sanitária dos últimos 100 anos. Ricos e pobres, desenvolvidos e subdesenvolvidos, situados no Hemisfério Norte e no Hemisfério Sul – todos sofreram perdas. Algumas irreversíveis, como a morte de pessoas. Outras recuperáveis a curto, médio e longo prazos.

O Brasil não foge à regra. Projetos desenhados para 2020 precisaram ser adiados para fazer frente às urgências impostas pela necessidade de salvar vidas, socorrer os vulneráveis e manter postos de trabalho. Medidas tomadas contribuíram para mitigar os efeitos avassaladores da destruição causada pelo inimigo invisível.

É o caso dos programas de assistência à renda, preservação de empregos e diferimento de impostos. Eles movimentaram a economia com a injeção de R$ 289 bilhões, mas foram insuficientes para evitar tombos inéditos nos indicadores. O Produto Interno Bruto (PIB), segundo previsão do Banco Central, deve murchar 6,4% em 2020. Há instituições e especialistas que calculam encolhimento maior.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, mostram que a taxa de desemprego subiu para 12,9% no trimestre encerrado em maio. O percentual significa perda de 7,8 milhões de postos de trabalho. Mais: o número de profissionais com carteira assinada atingiu o menor número da série histórica e, pela primeira vez, menos da metade da força de trabalho está ocupada – 85,9 milhões, contra 87,6 milhões.

Talvez seja essa a face mais cruel no rastro do coronavírus. A tragédia foi menos dolorosa graças ao auxílio emergencial de R$ 600, agora prorrogado por dois meses. Ponto positivo para a rede de proteção tecida pelo governo foi a inclusão de trabalhadores informais – 5,8 milhões dos 7,8 milhões dos excluídos do mercado nos últimos três meses.

A pandemia continua a fazer estragos, mas se vislumbra a retomada econômica. A recuperação será lenta por duas razões principais. Uma: a fragilidade da economia anterior à COVID-19, com crescimento médio de 1% ao ano no período de 2017 a 2019. A outra: o agravamento do quadro, que levou ao fechamento de empresas, sobretudo pequenas e médias. Voltar ao normal implica retomar a capacidade de crescer. O desenvolvimento sustentável exige projetos, foco e liderança.


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