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A educação financeira do brasileiro


postado em 21/06/2020 04:00

Denis Forte
Professor de finanças comportamentais do programa de pós-graduação em administração de empresas da Universidade Presbiteriana Mackenzie

Diversas crises mundiais marcaram a humanidade. A mais conhecida e estudada foi a crise da Bolsa de Nova York, em 1929. Com consequências desastrosas inicialmente, causou vários anos de quebras de empresas, desemprego e desespero. A partir de 1932, no entanto, houve início de recuperação e novo ciclo de prosperidade. As crises do século 20, por sua vez, se caracterizaram por regionalidades que se globalizaram. E culminaram na crise de 2001 das chamadas empresas ".com" ("ponto com" ou empresas de tecnologia). A saída dessa crise pode ter iniciado a crise de 2007, com deslocamento da bolha de tecnologia para o setor imobiliário. Foi devastadora para diversos países. Estávamos vivendo, ainda, as consequências dessa crise quando fomos tragados pela pandemia da COVID-19.

O que ocorreu após 2007? Uma das grandes preocupações mundiais foi analisar como os indivíduos estavam preparados para gerenciar seus recursos econômico-financeiros. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) se preocupou, a partir de então, em propor meios de mensurar esse conhecimento e de estabelecer metas mundiais e nacionais para melhorar os indicadores. Em 2016, foi feita uma segunda rodada de comparativo mundial. O Brasil se situou na parte dos países com menor indicador de literacia financeira, superando, entretanto, alguns países latino-americanos. A literacia é composta por conhecimento, comportamento e atitude. Enquanto países europeus, principalmente, demonstram problemas de comportamento e atitude, o Brasil teve problemas inclusive no conhecimento. O Brasil, assim, foi explicitamente citado no quesito de excesso de confiança. Isso quer dizer que vários indivíduos imaginam saber mais do que realmente sabem, o que os leva a decisões financeiras ruins.

Temos uma situação clara de fragilidade social. O Brasil tem uma população de 211.562.283 pessoas, de acordo com o IBGE (2020). Contava, antes da crise atual, com 12,2% de desemprego da população economicamente ativa (PEA). E a renda média mensal de R$ 2.398 para um PIB per capita de R$ 31.833,50. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) classificou o Brasil como o sétimo país mais desigual do mundo em 2019. O 1% mais rico concentrava 28% da renda total e os 10% mais ricos concentravam 42%.

Investimentos em educação são fundamentais para permitir a mudança do quadro, e um destaque na educação financeira pode auxiliar na mudança, no médio e longo prazo. No curto prazo, no entanto, esses brasileiros vão precisar de ajuda no contexto de geração de renda, de indicação de poupança e investimento e de planos de saúde e de aposentadoria. A forma a ser planejada e a execução devem ser fruto de discussão de grupos de estudo que conheçam o problema a fundo, para evitar o desperdício do recurso em si.

Educação financeira, inclusive no setor governamental, com transparência e controle, ética e governança. Assegurar mais possibilidades para que a população passe essa nova crise e que tenha condição, a partir daí, de trilhar o caminho rumo a uma sociedade mais competitiva e autônoma, mundialmente.


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