Presidente da Casa de Juscelino
Sempre gostei de escrever sobre JK. Estou há 35 anos à frente da Casa de Juscelino, em Diamantina, mantendo viva a memória do maior presidente que este país já teve.
Analisando a atual conjuntura em que passa o nosso querido Brasil, tenho plena convicção de que, com JK, tudo seria diferente. Em cinco anos, fez o Brasil crescer 50 anos. Brasília, indústria automobilística, as usinas hidrelétricas, as estradas, nascia a bossa nova, nascia o cinema novo. Nós éramos felizes e não sabíamos. JK era um homem sem ódio, como dizia o meu saudoso tio, dom Serafim Gomes Jardim: "No coração de Juscelino, o ódio jamais teve morada".
Em 1956, ao assumir a Presidência da República, houve a revolta de Jacareacanga. JK venceu os revoltosos. Em seguida, os perdoou. Três anos depois, a revolta de Aragarças. JK venceu os revoltosos e também os perdoou. O maior carrasco de JK foi a UDN e o seu famoso político, Carlos Lacerda. No final, JK o perdoou e Lacerda, na morte de JK, chorou nos ombros de Adolfo Block.
Não existia um só lugar no Brasil em que JK não foi lembrado pelo exemplo que deixou à sua terra. Pela mensagem de esperança no futuro deste país e pela maneira sempre digna como se portou na fase difícil da sua vida, quando teve de deixar a pátria.
Hoje, procuro entender porque razão JK está tão esquecido e a sua casa em Diamantina abandonada pelo governo de Minas Gerais, pela Prefeitura de Diamantina e pelo governo federal.
Como presidente da Casa de Juscelino, nunca passei momentos tão difíceis nestes cinco anos, de 2015 a 2020. Tentaram e estão tentando acabar com a Casa de Juscelino e com este presidente, mas, ao ver a história sofrida de JK, busco forças para continuar a luta, mas, infelizmente, estou chegando ao limite.
Quero aqui lembrar os momentos difíceis que passou JK e, em uma carta que enviou ao seu amigo e advogado, o saudoso dr. Jair Leonardo Lopes, em 9 de janeiro de 1967, um trecho para que os inúmeros brasileiros fiquem a par do sofrimento de JK: "As devassas realizadas na minha vida pública e particular excedem tudo aquilo que foi feito contra qualquer cidadão, mesmo nos áureos tempos da Inquisição. Creio que ninguém teve a honra que me tributaram de destacar centenas de oficiais do Exército Brasileiro para pesquisar em bancos, cartórios, repartições, hospitais e até mesmo no túmulo de amigos, vestígios de irregularidades que por ventura pudessem arguir contra mim. Li, recentemente, a história da Inquisição Portuguesa e verifiquei que o Santo Ofício nunca foi tão minucioso quanto foram contra mim os novos representantes da escola do ódio e da perseguição. Não houve detalhes que não se esmerassem. Acusaram-me de tudo, colocando-me ora em 3º ora em 5º lugar entre os homens mais ricos do mundo. Fui exilado e crucificado. Quanto maior grandeza procurei dar às minhas atitudes, mais me cercaram de pequenez e mesquinharia".
Em outra carta de Lisboa, de 13 de janeiro de 1967, JK diz: "Ao mesmo tempo, a minha saúde já deu dois rebates perigosíssimos, que eu não deixei nem sequer à minha família perceber. As angústias que tenho sentido, acompanhada de dores lancinantes no peito, dominadas pela trinitrina, mostram bem que o meu caminho está aberto na direção que eles querem, o meu completo desaparecimento".
Estamos precisando de um novo líder, de um novo JK, sem ódio e pronto para o desenvolvimento do país. Em uma frase dizia JK: "Sou um moderado e só por isso consegui superar todas as paixões".