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A perigosa presunção do homem


postado em 31/05/2020 04:00

Gilson E. Fonseca
Sócio e diretor da Soluções em Engenharia Geotécnica Ltda (Soegeo)                                                           
Com os avanços tecnológicos das últimas décadas, recebemos informações do Cosmo jamais imaginadas. Descobriram-se planetas, nascimento e morte de estrelas, robô passeando em Marte, e tantas outras maravilhas, tudo registrado com extraordinárias fotos. A comprovação da infinita grandeza do Cosmo era, naturalmente, para o homem respeitar mais a natureza na constatação da sua pequenez aqui na Terra. Diz a ciência que a Terra existe há 4,5 bilhões de anos, e a vida rudimentar nela (presença de bactérias) desde quatro bilhões. Os dinossauros que "dominaram" o mundo desapareceram há 60 milhões de anos. O Homo sapiens surgiu há cerca de 250 mil anos e o homem cultural há apenas 100 mil anos.

Essa cronologia parece sugerir várias indagações. A mais intrigante delas: por qual razão o homem demorou tanto a aparecer na Terra? Os mais céticos podem pensar apenas que as condições de vida no planeta não eram adequadas para recebê-lo; outros, por outro lado, podem imaginar que, o Criador, sabendo da confusão que Ele iria arranjar, preferiu refletir por milhões e milhões de anos antes de tomar essa corajosa decisão. Conta uma anedota que Deus, indagado sobre essa questão, respondeu: "Temo não poder responder, nem eu sei".

Uma coisa é certa: o homem, na relação de tempo do universo, tem muito pouca importância, ao contrário do que ele tem pensado ao agir sobre todas as coisas do nosso mundo, maltratando-o e desconhecendo as leis que deveriam regê-lo. A natureza cumpre, silenciosamente, seu papel, sem interferências indevidas: há sol, noite, dia, chuva e tudo impressionantemente "programado". Os mares não sobem, as geleiras não descem, as plantas nascem e tudo parece uma grande orquestra afinada com a música da vida. Deveria ser assim, mas o homem, julgando-se o dono do universo, tem feito transgressões de arrepiar até as pessoas de pouca sensibilidade. Basta lembrar a Guerra do Golfo, na qual o Iraque, na insanidade de seus homens, ateou fogo em mais de 600 poços e inundou de petróleo centenas de quilômetros de praias, constituindo a maior catástrofe ecológica de todos os tempos. Os testes nucleares no Pacífico, a aplicação de pesticidas e muitas ações que norteiam o homem contemporâneo, além da pouca preocupação do pleno emprego em matar a fome do Zaire, Somália, Angola, Índia, Brasil e em tantos os cantos do mundo, fazem dele homem surdo, mudo e cego.

Fica a impressão, diante do descaso, de que a natureza "parece" não tomar conhecimento do que o homem faz: carro corre a 300km/hora e morre gente; gasta-se mais com armamento do que com agricultura; faltam leitos nos hospitais; cortam-se árvores; assoreiam-se rios, razão maior das enchentes nos últimos anos; mas ela parece imóvel e quieta até certo ponto. Já se constata reações terríveis, como a queda da qualidade do ar que respiramos, aumento de temperatura global, tsunamis etc. Temo, entretanto, que tudo está sendo "anotado" e no futuro, por exemplo, não haverá água suficiente, o El Niño ficará mais agressivo ou as geleiras descerão pelo aumento da temperatura e, infelizmente, esses desequilíbrios serão o acerto de contas da natureza com a humanidade.

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