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COVID-19, Sars, H1N1 e os problemas ambientais


postado em 17/05/2020 04:00

Rodrigo Silva
Biólogo, doutor em ciências e coordenador do curso superior de tecnologia em gestão ambiental do Centro Universitário Internacional Uninter

Há grandes especulações sobre a origem do novo coronavírus. Alguns dizem que o vírus veio de morcegos, outros mencionam o pangolim – um animal que vive em determinada região da China e cuja carne e pele são altamente apreciados pela gastronomia local, além de suas possíveis propriedades afrodisíacas. Há quem diga que ele é uma quimera (um monstro mitológico com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente, ou ainda, a combinação heterogênea ou incongruente de elementos diversos) entre um vírus selvagem e o vírus do HIV. O fato é que a maior parte dessas doenças é de origem animal e muitas delas vindas de animais silvestres.
 
Independentemente de valores culturais e éticos de alguns povos, vale ressaltar que a natureza é uma grande caixa-preta de micro-organismos que nem sequer sabemos (ainda) que existem. Neste caso, ao adentrar esse grande quarto escuro, estamos sujeitos a encontrar vírus, bactérias e fungos que podem causar enfermidades para as quais nosso corpo não possui defesas.
 
Estudos publicados nos últimos 15 anos mostravam que havia enorme tendência do sur- gimento de novas doenças em função do tipo de alimentação de algumas populações, da destruição dos hábitats dos animais silvestres, do desmatamento, do crescimento populacional desordenado, da pobreza e do aquecimento global. Pois bem! É isso que estamos vivenciando. São as chamadas doenças emergentes em função des- ses fatores.  Entre essas doenças, podemos destacar ebola, Aids/HIV, Sars, H1N1, gripe aviária, febre amarela, a famosa COVID-19, entre outras.
 
Por outro lado, temos uma boa notícia em meio ao caos. Podemos notar uma recuperação, uma sobrevida da natureza, mostrando sua enorme capacidade de resiliência. Vimos o reaparecimento de animais silvestres em algumas cidades em quarentena; melhoria da qualidade da água; redução da quantidade de poluentes na atmosfera e a consequente melhoria da qualidade do ar que respiramos. A pandemia da COVID-19 fez com que as atividades industriais diminuíssem consideravelmente. Há inúmeros cancelamentos de voos, reduzindo em cerca de 40% (de acordo com a Agência Espacial Europeia) as emissões de gases de efeito estufa e a poluição do ar em todo o mundo. Se há algo de positivo a tirar dessa terrível crise, pode ser o gostinho do ar puro que poderemos respirar em um futuro de baixo carbono.
 
O que podemos fazer para evitar situações como essas? Potencializar a comunicação entre ciência/cientistas com a população em geral. Implementar políticas públicas de saneamento básico; atuar no ensino com ênfase em educação socioambiental e em saúde pública desde os anos iniciais do ensino; buscar o equilíbrio com o meio ambiente, respeitando a natureza e seus recursos e compreendendo que deve haver uma harmonia entre nós. Caso contrário, estaremos fadados a ser uma espécie em vias de extinção.
 
É sempre bom lembrar que nós, cidadãos, somos corresponsáveis pela disseminação da doença e, portanto, devemos nos cuidar e também pensar de forma coletiva. Para isso, adotar o uso de máscaras, evitar sair de casa sempre que possível, higienizar as mãos e tudo o que entra em nossos lares (cuidando para não gastar muita água) são formas de "achatar a curva" e determinar que este período não se prolongue tanto.


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